A Associação de Integração Comunitária Pró-Reabertura da Estrada do Colono (Aipopec) anunciou ontem que vai manter a abertura ilegal da via, que corta o Parque Nacional do Iguaçu e liga as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná. A medida contraria decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que na terça-feira negou pedido da entidade para que fosse suspensa a liminar que determinou o fechamento da estrada, em setembro de 1986.
No recurso julgado terça-feira, a Aipopec pedia para que fosse revalidada decisão do juiz Pedro Paim Falcão, presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, com sede em Porto Alegre. Em 27 de maio do ano passado, um despacho de Paim Falcão derrubou a liminar da Justiça Federal do Paraná que determinou o fechamento. Menos de um mês depois, em 19 de junho, a decisão de Paim Falcão foi invalidada pelo STJ.
O advogado da Aipopec, Pedro Henrique Xavier, informou ontem que a entidade aposta no julgamento de um recurso extraordinário já aceito pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No recurso, Xavier alega que a Aipopec não teve o direito constitucional de defesa garantido durante o processo que tramitou no STJ. O recurso só deverá ser julgado pelo STF a partir de fevereiro.
Pelo menos até lá, a Aipopec pretende manter a estrada aberta, mesmo contrariando a Justiça. Durante o horário de verão, o trânsito no local é permitido entre as 6h30 e as 19h30. Para utilizar a estrada, de 17,6 quilômetros de extensão, a Aipopec cobra um ‘‘pedágio’’ de R$ 5,00 por veículo. Essa cobrança dá direito à utilização de uma balsa para a travessia do Rio Iguaçu, em uma das extremidades do parque.
Aberta nos anos 30, a estrada liga Serranópolis do Iguaçu (Oeste do Estado) e Capanema (Sudoeste). O fechamento atendeu a pedido de entidades ambientais, que alegavam que a estrada provocava danos ao Parque do Iguaçu, considerado Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco.
Depois do fechamento, moradores e políticos da região invadiram o parque e reabriram em maio de 97 e janeiro deste ano, situação que é mantida até hoje. O principal argumento é que o fechamento aumentou em 120 quilômetros a distância rodoviária entre o Oeste e o Sudoeste e estagnou a economia dos municípios vizinhos ao parque.

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