Londrina

Milton DóriaSem-tetoFamílias acampadas ontem na Prefeitura: comissão de moradores vai negociar um acordo com a CohabCerca de 30 famílias da área invadida no conjunto São Lourenço (zona sul) acamparam ontem, durante toda a manhã e parte da tarde, no saguão da Prefeitura de Londrina. Eles queriam uma solução para o problema do assentamento, que pertence à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). A área já tem mandado de reintegração de posse. Os sem-teto portavam cartazes cobrando uma saída para o impasse e diziam que não iam sair do local enquanto não fossem recebidos pelo prefeito Antonio Belinati (PDT).
‘‘Disseram que iam derrubar os barracos com a gente dentro e tudo. Só que a gente não tem para onde ir’’, reclamava Joel Bueno, um dos moradores do São Lourenço. Segundo ele, a maioria no bairro está desempregada e ocupou a área justamente porque não tinha condições de pagar aluguel. Apesar disso, ele observa, os moradores estão dispostos a pagar por cada lote, desde que seja um preço justo. ‘‘A gente não quer nada de graça.’
‘‘Só vamos sair daqui depois de conversar com o prefeito. Porque a gente chega lá para conversar com o Mandelli (Wilson Mandelli, presidente da Cohab) e não resolve nada. Fica só no cafezinho’’, afirma um dos líderes do movimento, Marcos Aureliano Rodrigues. Segundo ele, uma das justificativas para a Cohab ter pedido o terreno de volta - o local seria impróprio para moradia - não convenceu os assentados.
‘‘Eles querem ficar, mas isso está em juízo e não podemos dizer nada’’, diz o diretor financeiro da Cohab, Paulo Franzon. Ele foi até a Prefeitura para conversar com os invasores. Ele lembra que a posição hoje da Companhia é realmente pedir na Justiça toda área invadida. Franzon afirma que o local onde foi levantado o assentamento é realmente impróprio para moradia: ‘‘Lá é uma ribanceira. Se chover, tudo é carregado para baixo’’.
No final da manhã ficou decidido que uma comissão iria novamente até a Cohab tentar negociar uma solução e que, até lá, não haveria despejo. Franzon observou, no entanto, que a Cohab hoje não tem lugar para promover novos assentamentos. O assessor jurídico da Prefeitura, Eduardo Duarte Ferreira, recebeu os sem-teto por volta das 13 horas, em nome do prefeito Antonio Belinati, e os convenceu a voltar para o São Lourenço.
Na semana passada, a Justiça indeferiu pedido da própria Cohab, que queria a derrubada de 26 barracos vazios que estão no São Lourenço. A Companhia entendeu que a existência de barracos vazios é a prova da atuação de especuladores. Os moradores que estavam na Prefeitura ontem garantiram, no entanto, que quem permanece hoje na área invadida são apenas moradores que não têm para onde ir.

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