Representantes de 47 invasões de áreas urbanizadas e não urbanizadas de Londrina estiveram ontem à tarde na Câmara de Vereadores para cobrar resultados da audiência pública realizada na semana passada, que discutiu soluções para as famílias ocupantes de terrenos irregulares. Eles foram recebidos pelo vereador Salvador Francisco (PSDB), coordenador da audiência pública. ‘‘A gente fica para lá e para cá. A Prefeitura diz que não tem conhecimento dessa mobilização da Câmara e isso vira um jogo de empurra-empurra’’, reclama o presidente da Federação dos Assentamentos e Sem-Teto, José Ricardo da Silva.
Ele teme o uso político do problema e diz que membros da entidade estão fazendo um ‘‘levantamento’’ para verificar se os políticos utilizam do drama das famílias sem-teto para auto-promoção. ‘‘Se isso ficar comprovado, só negociaremos com a Prefeitura e com a Cohab’’, ameaça.
‘‘A Câmara está empenhada em ajudar na solução do problema’’, garante Salvador Francisco. Segundo o vereador, o Legislativo busca alternativas para garantir soluções concretas para as famílias. Ele diz que já encaminhou à prefeitura e aguarda resposta de um pedido de informações sobre os débitos das loteadoras com o município. A proposta dele é que as empresas devedoras possam trocar a dívida por lotes urbanizados que seriam revendidos às famílias carentes.
Depois do encontro com o vereador, os representantes de assentamentos se concentraram em frente à Câmara. Houve um princípio de tumulto quando chegou a informação de que um oficial de Justiça estava se dirigindo à área ocupada no conjunto Ilda Mandarino (zona norte) para cumprir a reintegração de posse dada pela Justiça à prefeitura. Mas a Cohab pediu suspensão temporária da medida até a transferência pacífica das famílias para outros assentamentos.

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