Invasores abandonam área para evitar conflitos
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quinta-feira, 19 de março de 1998
Lucilia Okamura 
Milton DóriaEm pazInvasores desmancham barraco no conjunto Benzoni Vicentini: Queremos evitar que novos conflitos ocorramAs 15 famílias que haviam invadido na semana passada um fundo de vale no conjunto Antonio Benzoni Vicentini (zona norte de Londrina) resolveram deixar a área ontem à tarde. Os invasores foram convencidos pela Federação das Favelas, Assentamentos e Núcleos a voltar para suas casas.
A intervenção da Federação aconteceu por causa do incidente ocorrido na terça-feira à tarde, quando moradores vizinhos ao fundo de vale e os invasores entraram em conflito. Houve muita discussão, alguns barracos foram derrubados pelos moradores e, segundo os sem-teto, crianças se machucaram.
Queremos evitar que outros conflitos ocorram, afirma a representante da Federação, Luzia Madalena Moreira. Ela diz que pediu aos invasores que voltem para suas casas e a entidade se comprometeu a entrar em contato em breve para verificar o que pode ser feito por eles.
Na opinião de Luzia Moreira, o confronto poderia ser evitado se a associação de moradores do bairro tivesse entrado em contato com a federação e conversado a respeito. Nada disso teria acontecido.
A diarista Isaura de Souza, 29 anos, uma das invasoras, fez questão de dizer que não estavam deixando a área por medo dos moradores vizinhos. Se estivéssemos com medo, teríamos saído logo depois da confusão, afirma. Ela alega que concordou em sair por achar que a federação ajudará a sua família a conseguir uma casa. A diarista diz que voltará para a casa alugada no residencial do Café (zona norte). O aluguel está atrasado e a dona já pediu a casa de volta, mas vou tentar ficar por lá porque não tenho para onde ir.
Maria Lúcia Vieira, 32 anos, também é diarista e ontem à tarde recolhia seus pertences com a ajuda dos filhos. Ela diz que irá voltar para a casa de sua mãe, no parque Ouro Verde (zona norte). A minha mãe deu um cômodo pra gente não ter que dormir na rua.
Arlinda Costa Claro, 62 anos, é uma das invasoras que teve seu barraco destruído pelos moradores. Ela diz que resolveu participar da ocupação porque não estava conseguindo pagar o aluguel da casa que fica no mesmo bairro. Agora, mesmo com aluguel atrasado, vou ter que voltar pra lá. Segundo ela, a esperança era do filho, Eliseu, conseguir, finalmente, uma casa através da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). Ela conta que está inscrita na companhia há 13 anos.
A representante da federação visitou o fundo de vale do conjunto Ruy Virmond Carnascialli (zona norte), também invadida, na semana passada, por cerca de 15 famílias. Luzia Moreira revela que não pediu para os invasores se retirarem daquela área porque a situação está mais tranquila.


