Cerca de 200 famílias que invadiram no começo da semana uma área de mata nativa de preservação permanente no Bairro Tatuquara, em Curitiba, vão permacecer no local, pelo menos até a próxima semana. A decisão foi tomada ontem, em reunião realizada na Rua da Cidadania do Bairro Pinheirinho, que contou com a participação de representantes do Ministério Público, da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab-CT), Prefeitura de Curitiba, Polícia Militar e das famílias.
Os invasores ganharam um prazo maior para sua retirada depois de terem se rebelado na noite de quinta-feira contra a ação de policiais militares que foram até a área para fazer o despejo. Revoltados, eles chegaram a fechar a BR 116, que passa próximo à área, por cinco horas, até o começo da madrugada de ontem.
A reunião aconteceu depois que promotores de Justiça, o prefeito em exercício João Cláudio Derosso (PFL), o secretário de Meio Ambiente, Sérgio Tocchio, e o comandante do Policiamento da Capital da Polícia Militar, Justino Sampaio, visitaram a invasão e encontraram os ocupantes decididos a permanecer no local. O desempregado Roberto de Oliveira, afirmou que os moradores só vão deixar a área depois que a Cohab-CT oferecer uma alternativa. ‘‘Queremos pagar um terreno, mas a Cohab não nos oferece um local para ir’’, disse.’’
O diretor-presidente da Cohab-CT, Sergio Abu-Jamra Misael, afirmou que não tem um local para transferir as famílias. Durante a visita, os representantes do Ministério Público decidiram abrir dois inquéritos para apurar as circunstâncias da ocupação. Um vai tramitar pela Promotoria do Meio Ambiente para avaliar os danos ambientais que foram causados pelos invasores. O outro pela Promotoria de Defesa do Consumidor, que vai investigar se os proprietários da área, Hisako Matsubara Sato e outros três familiares, incentivaram as invasões.
Na invasão, corriam informações que a instalação de moradias na área, impedida pela legislação, poderia acontecer se ‘invasores’ desmatassem e ocupassem o local, facilitando uma legalização posterior. O representante dos prorietários da área, Maurício Sato, esteve no local e negou esta versão. Entretanto, diversos moradores disseram ter participado de uma audiência preliminar com os proprietários no mês de novembro, em que foi combinado que o presidente de a recém criada Associação de Moradores da Vila Nova Osvaldo Cruz, Osvaldo de Paula Lopes e o advogado Genésio Natividade trabalhariam para legalizar a área. A costureira autônoma Rute Bosca, 52 anos, chegou a mostrar recibos assinados por Lopes no valor de R$ 50 reais para pagamento de honorários advogatícios e para a construção da sede da associação, que não aconteceu.
Natividade confirmou ter recebido R$ 25 de cerca de 60 famílias há três meses para cuidar de seus interesses em relação À área. ‘‘O dinheiro foi para pagar custas processuais em uma ação de abandono de área que estávamos movendo contra os proprietários’’, disse.

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