Correspondente
PONTA GROSSA - A invasão de áreas públicas na área urbana de Ponta Grossa começa a preocupar a prefeitura municipal, que aparentemente já perdeu o controle da situação. Apesar de não saber com exatidão quantas e qual o tamanho de seus terrenos no município, a prefeitura estima que aproximadamente 80% dos terrenos de propriedade do governo municipal estejam ocupados irregularmente.
O percentual é calculado pelo Departamento do Patrimônio Imobiliário (DPI) da prefeitura, com base nas constatações e denúncias de ocupação irregular. Embora o número de invasões tenha crescido nos últimos meses, o diretor do DPI, Marcelo Alves da Silva, explica que elas não são recentes. ‘‘Algumas das áreas que estão ocupadas hoje foram invadidas há mais de dez anos’’, disse Marcelo Alves. Ele admite que esse é um problema delicado, uma vez que, para retirar os invasores, o município esbarra na questão social.
Conforme números do Departamento de Assuntos Comunitários da prefeitura, atualmente há 129 ocupações irregulares na área urbana. A maioria das ocupações acontece em áreas de propriedade do município, principalmente nos bairros da periferia.
Uma das maiores áreas de ocupação irregular está no Jardim Los Angeles, onde mais de 100 casas foram erguidas em terreno de propriedade da prefeitura. A maioria delas tem luz e água encanada, com terrenos delimitados por cercas de concreto e arame farpado. Algumas dessas casas, que podem ser demolidas no caso de uma reintegração de posse, são construídas em alvenaria e têm até 60 metros quadrados. Entre os bairros que tiveram áreas ocupadas irregularmente destacam-se o Santa Paula, Jardim Paraíso, Monte Carlo, Bela Vista, Bonsucesso II, San Marino e Jardim Itália.
Marcelo Alves diz que a prefeitura nunca se preocupou muito com essa situação. Segundo ele, a atual administração está empenhada em conter as invasões e encontrar uma solução pacífica para as ocupações irregulares. O maior problema, comenta, é que a prefeitura fica sabendo das invasões quando já há muitas casas construídas no local. ‘‘A partir do momento em que uma casa estiver erguida em terreno público, o único caminho que existe para recuperar essa área é judicialmente, e o processo pode levar anos tramitando na Justiça’’, afirma.
Os moradores dos bairros onde existem áreas invadidas reclamam da situação e cobram providências da prefeitura. Elói Ligeski, presidente da Associação de Moradores do Jardim Los Angeles, diz que já está cansado de reclamar e denunciar as invasões que, segundo ele, não param de acontecer em seu bairro. Sem acusar ninguém, Elói disse que os problemas de roubos e arrombamentos de residências no Jardim Los Angeles aumentaram com a proliferação das ocupações irregulares.

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