O prejuízo financeiro não é a única consequência das constantes invasões de assaltantes e vândalos ao campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A ação dos bandidos tem trazido danos irreparáveis justamente numa área considerada parte do tripé do ensino público: a pesquisa. É que a destruição e os furtos de materiais da Fazenda Escola têm atrasado e até inviabilizado trabalhos científicos dos cursos de Ciências Agrárias, Biológicas e Exatas.
Para o professor do departamento de Agronomia e diretor em exercício da Fazenda Escola, Cássio Egidio Cavenaghi Prete, o local é vulnerável devido à extensão, uma vez que tem uma área de 100 hectares. As invasões são praticamente mensais. Os alvos mais comuns dos assaltantes são fios elétricos e produtos agrícolas.
E é aí que está o principal problema. O que em uma propriedade rural seria apenas um furto de frutas ou verduras, na fazenda escola torna-se um crime contra a ciência. ''Pesquisas para comparar a produtividade de determinados cultivares, por exemplo, foram inteiramente perdidas por causa de furtos'', lamenta.
Outras perdas foram de peças do sistema de irrigação, que precisou ser praticamente todo trocado.
O professor acrescenta que o prejuízo não fica restrito à Fazenda Escola. As consequências atingem até a comunidade externa, uma vez que os alimentos produzidos no local são detinados para o Restaurante Universitário (RU) e para a cozinha do Hospital Universitário (HU).
Prete lembra que a Fazenda Escola era isolada quando começou a funcionar em 1989. O crescimento da cidade e o surgimento e expansão de favelas nas proximidades, segundo ele, deixou a área vulnerável e com a necessidade de novas iniciativas para garantir a segurança.
Para ele, a solução está em ações práticas, como a construção do muro onde hoje existe uma cerca de arame farpado e implantação de vigilância constante.

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