Invasões podem voltar se convênio não for renovado
Invasões podem voltar se
convênio não for renovado
Convênio com o
governo permite
assistência técnica
aos assentados
Guilherme Vieira
A coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) decidiu ontem dar um voto de confiança ao governo do Estado e suspender as invasões da agências bancárias do Banestado. A decisão foi tomada às 18 horas, depois de reunião do MST em que a movimentação dos últimos dias foi avaliada. Segundo o coordenador do MST Ireno Brocknow, as invasões estão suspensas até a próxima segunda-feira. Se até lá o convênio para a contratação de 32 técnicos que dão assistência aos assentamentos não for retomado, voltaremos com mais gente, ameaçou. Os contratos terminaram no mês de outubro.
A não renovação desse convênio, que interrompeu 50% da assistência técnica aos assentados, é a principal reivindicação do MST no Paraná. Os sem-terra consideram fundamental, para o sucesso da produção, o apoio que recebem de médicos veterinários, dos agrônomos e dos contadores. Eles estão conosco há seis anos e conhecem a fundo os nossos projetos justifica Isabel Grein.
Segundo a coordenação do MST, o repasse de R$ 5 milhões para os assentamentos e a posição contrária do movimento à privatização do Banestado podem ser discutidas em um segundo momento, depois de resolvido o impasse sobre os técnicos. Muitos estão há dois meses sem receber, alguns até pararam de trabalhar em um momento em que deveríamos estar fazendo projetos de custeio, afirma Isabel Grein.
O assessor especial para Assuntos Fundiários do governo do Estado, José Carlos Vieira, disse que os convênios para a contratação de assistência técnica para assentamentos já foram analisados tecnicamente e estão na Secretaria da Fazenda aguardando alocação de recursos. Vieira criticou a pressão exercida pelo MST para forçar a liberação de verbas, em um momento em que, segundo ele, tudo caminhava dentro da normalidade. Todos os paraceres são favoráveis. Só falta a liberação do dinheiro, que pode sair a qualquer momento. O assessor reclamou a falta de boa vontade do MST que hoje vem ocupando dez áreas consideradas produtivas, com reintegração de posse determinada pela Justiça, e nem assim vem recebendo tratamento diferenciado do governo paranaense.
As invasões das agências bancárias paranaenses repercutiram também em Barsília. Ontem uma reunião da direção nacional do MST com o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Milton Seligman, foi cancelada até que os prédios do Banestado fossem desocupados.





