Nos últimos cinco anos, a Sanepar vem gastando mais para tratar a água captada nos mananciais da Região Metropolitana de Curitiba e de outras cidades. Apenas na capital, por causa da poluição em quatro de cinco rios que integram a Estação de Captação de Água do Rio Iguaçu, a empresa está desembolsando 60% mais em produtos químicos, saltando de R$ 156 mil para R$ 250 mil. Como este gasto tende a ser progressivo, a empresa vem investindo R$ 290 mil num estudo (feito com outras quatro instituições) que encontre resposta para reduzir os impactos de ocupação nas áreas de mananciais e melhorar as condição das águas.
O coordenador do projeto, Cleverson Andreoli, conta que a pesquisa pretende estabelecer um novo sistema de gerenciamento em áreas de mananciais, tanto na zona urbana como rural. Para isto, está se levantando informações em outras cinco bacias de mananciais estaduais - Maringá, Foz do Iguaçu, Campo Mourão, Campo Largo e Guarapuava. Com base no que for apurado, pretende-se montar um manual de plano de manejo de mananciais.
Ao todo são 28 projetos, que vão estabelecer o custo de água em função da degradação ambiental. Também está se fazendo um levantamento sócio-econômico das famílias que ocupam a região de mananciais, apontando alternativas de atividades e ocupações. ‘‘Vai se encontrar uma medida padrão para que a atividade desenvolvida não cause muitos danos ao maio ambiente’’, diz Cleverson Andreoli.
Um dos projetos prevê a criação de um índice de poluição - o Índice de Padrão de Qualidade de Mananciais (iPQM). ‘‘Este valor determinaria os impactos que determinadas atividades causam sobre a saúde do rio’’, explica o coordenador do Instituto de Saneamento Ambiental da Pontíficia Universidade Católica do Paraná (Isam-PUC), Carlos Mello Garcias. Além da PUC, a Universidade Federal do Paraná, Instituto Ambiental do Paraná e o Departamento Sindical de Estudos Rurais (Deser) são parceiros da Sanepar.
Garcia conta que será feito um estudo do processo de invasão da regiões de mananciais. O fotógrafo Luiz Romão, que realiza aerofotometria, vem catalogando as áreas de invasão e constata que elas estão crescendo nos fundos de vales de Curitiba. ‘‘Se culpa em muito as favelas pelas más-condições dos rios, mas o principal responsável é o lixo, que vem também dos centros da cidade’’, afirma. O estudo deve ser concluído até o dezembro do próximo ano.

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