Invasão é castigada pela lama
A chuva de terça-feira à noite transformou a vida das famílias do assentamento e da invasão do fundo de vale do conjunto Aquiles Stenghel (zona norte de Londrina) em um mar de lama. A enxurrada invadiu casas e barracos levando barro e molhando roupas e colchões. Localizado numa área topograficamente inclinada, toda a água dos bairros vizinhos escorre para o assentamento em direção ao Ribeirão Jacutinga.
Na parte de cima do assentamento, que margeia a Rua Elias Daniel Hatti, pelo menos sete casas foram invadidas pela enxurrada. E praticamente todas as casas construídas no fundo de vale, abaixo da última rua de asfalto do bairro, ficaram cheias de barro. Toda vez que chove a gente vive o mesmo problema. A Cohab precisa colocar meio fio nas ruas e abrir bocas de lobo para escoar a chuva, senão a gente vai continuar sofrendo e perdendo as coisas, reclamou Eide Machado, de 26 anos.
Ela mora no assentamento há dois anos e, na chuva de anteontem, não conseguiu salvar nada. Até os mantimentos que estavam dentro do armário da cozinha foram atingidos pela água da chuva. Tive de passar a noite toda em pé, com meu filho pequeno no colo porque não tinha lugar seco em toda a casa , disse. O menino está com pneumonia.
Kelly Aparecida Alves, de 25 anos, também teve de passar a noite de terça para quarta-feira, acordada. Ela, os dois filhos (de 4 e 7 anos) e o marido ficaram a noite inteira sentados na cama para esperar a água abaixar e poder começar a limpeza. Ontem de manhã ela ainda não havia conseguido tirar todo o barro de dentro de casa. Já procuramos a Cohab um monte de vezes. Eles prometem que vão dar um jeito mas não fazem nada.
A casa da família de Kelly Alves está menos de 3 metros do ribeirão. A história das famílias do assentamento e da invasão é a mesma. Pagavam aluguel em bairros próximos ou viviam com parentes dividindo uma mesma moradia. Com o desemprego e sem renda fixa, optaram pela invasão daquela área e parte dela foi transformada em assentamento.
A Cohab loteou a área, mas ainda não dispõe de recursos para fazer toda infra-estrutura. Separamos os lotes, definimos as ruas e levamos água e luz para o local. O resto vai ter de esperar, informou. Quanto às famílias que estão no fundo de vale, Humberto Lima, da Cohab, avisa que pouco pode ser feito. Elas vão ter de ser retiradas do local e removidas para outra área. Mas ainda não temos previsão de quando, disse. Segundo os moradores, entre o fundo de vale e o assentamento, vivem no local cerca de 300 famílias.Dorico da SilvaÁrea recebeu água dos bairros vizinhos e foi tomada pela lamaCélia Baroni





