Boa parte dos mais de 35 mil vestibulandos que disputam cada uma das 3.010 vagas nos 41 cursos oferecidos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) neste ano começaram a chegar ontem pela manhã na cidade. Na economia local, a ''invasão'' desses estudantes deve injetar perto de R$ 5 milhões, segundo estimativa da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
A Acil calcula que cerca de 22.500 candidatos são de localidades fora da região metropolitana de Londrina. E 20% destes vêm acompanhados por pelo menos mais uma pessoa que não vai participar do concurso. Se cada um gastar R$ 180,00, esse universo aproximado de 27 mil ''forasteiros'' deve deixar por aqui mais de R$ 4,8 milhões. No Hotel Bristol (região central), por exemplo, todos os 450 leitos disponíveis estavam ocupados por excursões do interior de São Paulo. O hotel, que cobra diária de R$ 178,00, fez até uma programação noturna especial para os candidatos. ''Quando saem, muitos cursinhos já deixam vagas pré-agendadas para o próximo ano'', apontou o recepcionista Arildo Monaro, 34 anos.
No Terminal Rodoviário, o movimento de vestibulandos foi intenso durante todo o dia. Pela manhã, chegaram os amigos Vitor Castaldelli, de 20, e Lívia Morais, 19, que sacolejaram por mais de 21 horas desde Barra do Garças (MS). Ela, que já morou seis meses em Londrina, tenta uma vaga no curso de estilismo e moda. Vitor veio atrás da ''fama'' do curso de direito da UEL. Ele passou para o terceiro ano do curso na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul mas se dispôs a passar outra vez pelo calvário do vestibular. Por que? ''Porque a faculdade é mais conhecida e também por causa da cidade, que todo mundo fala bem.''
A possibilidade de ingressar em uma universidade pública de qualidade atraiu também três amigas paulistanas. Sabrina Borges Serafim, 21 anos, tenta vaga em psicologia, Adriana Araújo, 20, quer cursar medicina veterinária, e Helen Maiumi do Carmo, 18, vai tentar fisioterapia. ''Não estamos preocupadas. Vamos fazer a prova e ver o que acontece.'' Já o iguaçuense Alexandre dos Santos Pacheco Filho, 17 anos, tinha outras preocupações além das provas que começam hoje. Em viagem pelo litoral, ele acabou perdendo em Paranaguá parte do dinheiro que usaria em Londrina. Sem lugar para ficar e sem conseguir contato com o único amigo que tem na cidade, ele estava desde as 5 da manhã no terminal. ''Qualquer coisa, armo minha barraca em frente ao colégio que vou fazer a prova'', brincou.
Situação bem diferente das colegas vindas de Ourinhos, Heloisa de Oliveira Neto, 18, candidata de administração, e Maria Inês Zanotto, 17, que tenta vaga em farmácia. Heloisa teve a ajuda da ''mãetorista'' Iraci e de uma irmã que já mora e estuda na cidade. ''Londrina é bem mais acessível financeiramente'', elogiou Iraci.
Tranquilidade às vesperas do vestibular era o que também queriam as amigas Lília Cláudia da Silva, 21, candidata de administração, Lilian Andreza, 21, ''futura farmacêutica'', e Graziela de Paula Justino, 19, que também tenta vaga em farmácia. Pela manhã, rodaram os seus respectivos locais de prova e depois foram relaxar no Shopping Catuaí, onde acabaram almoçando. Atraídas pelo ''estilo de prova da UEL'', elas também não deixaram o consumo de lado. ''Viemos gastar, não é o que todos querem?''

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