São Paulo A liminar conseguida pela defesa do cirurgião plástico Farah Jorge Farah, assassino confesso da paciente e ex-amante Maria do Carmo Alves, 49, para que ele não participasse da reconstituição do crime ficou em segundo plano na tarde de ontem. A polícia encontrou as portas da clínica arrombadas e diz que isso reforça a suspeita de que há outras pessoas envolvidas no caso.
Maria do Carmo foi esquartejada no último dia 24, na clínica de Farah, em Santana (zona norte). O médico confessou o crime e foi preso no dia 27. A defesa alegou que o médico sofreu um lapso de memória e, portanto, não conseguiria contribuir na reconstituição do crime, marcada para ontem às 13 horas. Outra alegação é que a agitação abalaria ainda mais a sua saúde. Um pedido de habeas corpus foi encaminhado ao juiz Ivo de Almeida, que concedeu liminar. O promotor Orides Boiati disse que irá recorrer hoje e pedir que uma nova data para a reconstituição seja marcada.
O delegado Ítalo Miranda Júnior, titular do 13º DP, que está conduzindo as investigações, afirmou ontem que aproveitaria os técnicos convocados para fazer uma perícia complementar na clínica de Farah. Ao chegar ao local, a surpresa: duas portas de entrada da clínica estavam arrombadas.
A primeira é uma grade de ferro que havia sido trancada com um cadeado pela polícia. A dobradiça do alto foi forçada possivelmente com um pé-de-cabra. A porta foi empurrada e os invasores entraram pelo vão. A partir dali, os invasores tinham acesso às duas portas que os levariam para dentro da clínica.
Durante cerca de duas horas, a polícia científica vasculhou o local. Segundo o delegado, nada foi levado e os objetos não foram revirados. ''É difícil prever o que os invasores procuravam. Possivelmente o interesse é prejudicar a investigação.'' Segundo o promotor Orides Boiati, que esteve no local com os policiais, os invasores procuravam objetos como o ''bina'' (identificador de chamadas telefônicas) o instrumento já havia sido recolhido pela perícia. Para o delegado, a invasão e o fato de que as secretárias de Farah ainda não foram encontradas reforçam a suspeita de que mais pessoas estão envolvidas no caso. O inquérito policial será entregue hoje.

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