Mais de dois anos depois que cerca de 300 pessoas invadiram um terreno particular na Zona Norte de Londrina o problema continua sem solução. De um lado estão os proprietários da área, que têm uma decisão favorável da Justiça, mas não conseguem que a ordem de reintegração de posse seja cumprida. Do outro, as famílias, que vivem em situação precária em barracos de madeira improvisados.
O terreno fica ao lado do Jardim São Jorge e a ocupação ocorreu no dia 7 de setembro de 2001. Hoje, o local é conhecido como Invasão Nossa Senhora Aparecida e as cerca de 70 famílias que vivem lá praticamente já se adequaram à falta de infra-estrutura. Água e luz, por exemplo, foram ''puxados'' do bairro vizinho. E muitos dos moradores já formaram hortas nos quintais dos barracos. Segundo o presidente da Federação de Assentamentos e Sem Terra de Londrina e Região, José Ricardo da Silva, o número de moradores foi diminuindo depois da invasão. ''Teve muita gente que entrou para especular'', afirmou.
A diarista Helena Alves, de 44 anos, que mora com a filha Jenifer Alves, de 13 anos, está entre o grupo inicial que invadiu o terreno. Ela trocou uma casa no São Jorge por um barraco no Nossa Senhora Aparecida. A intenção era deixar de pagar um aluguel de R$ 150,00. Apesar de ter uma televisão e um tanquinho para lavar roupas, a moradia no Nossa Senhora Aparecida é precária e pouco resistente à chuvas e ventos. As duas não têm geladeira, tomam banho de água fria com uma mangueira (''a energia não dá conta do chuveiro'') e dividem apenas uma cama. ''A gente veio sofrer um pouco de novo, mas tá bom. Seja o que Deus quiser'', disse Helena, resignada.
O que Helena espera, assim como todas as outras famílias da invasão e os proprietários do terreno, é uma solução para o problema. ''A gente veio buscar o nosso e está lutando para conseguir'', afirmou Carlos Alberto de Almeida, de 33 anos, vizinho de Helena. ''Não ponho a culpa no povo, que está lá em condição subumana, mas nos governantes que não dão solução'', disse um dos proprietários, Tony Karam. Segundo ele, a reintegração de posse saiu 15 dias depois da invasão. Ele explicou que houve uma tentativa de negociar com a prefeitura a compra do terreno ou que o poder público oferecesse outra área para as famílias, mas nada foi resolvido. O terreno tem cinco alqueires e vale cerca de R$ 5 milhões.

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