Cerca de 50 famílias de trabalhadores rurais sem-terra invadiram anteontem no final da tarde a Fazenda São Vicente, em Luiziana (35 km ao sul de Campo Mourão). É a décima invasão na região desde novembro do ano passado, a quinta somente esta semana. A fazenda, com 188 alqueires, tem cerca de 350 cabeças de gado e pertence ao pecuarista César Caldas, que já foi presidente da Associação de Pecuaristas da Região de Campo Mourão (Aprecampo).
Segundo o delegado de Luiziana, Írio Medeiros, a invasão foi pacífica. Os sem-terra chegaram em um caminhão e anunciaram ao caseiro, Sidnei Camargo de Arruda, que só queriam a terra. Alguns deles estavam armados com espingardas e revólveres de baixo calibre, mas não houve tiros nem ameaças. ‘‘Eles chegaram a dizer ao caseiro que ele poderia avisar o proprietário para que retirasse o gado’’, conta o delegado. Apenas Arruda e a mulher moram na fazenda.
A invasão à Fazenda São Vicente é a primeira em Luiziana. As outras nove ocupações ocorrem em Nova Cantu (seis), Peabiru, Altamira do Paraná e Mamborê. Nesse período também oconteceram invasões em Goioerê e Barbosa Ferraz, mas os sem-terra deixaram as áreas poucos dias depois.
MortesDois homens morreram anteontem próximo ao acampamento que os sem-terra mantêm na Fazenda Santa Rita, em Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão). Luiz Carlos Batista, 19, morreu com um tiro na perna direita. Ele tinha saído para caçar com o amigo Luiz Malaquias, 26. Segundo a polícia, a espingarda usada por Batista era muito velha e disparou acidentalmente.
A segunda morte foi de um homem de cerca de 40 anos ainda não identificado. Ele foi encontrado morto próximo a um rio. A provável causa da morte é afogamento. O corpo está no Instituto Médico-Legal (IML) de Campo Mourão. Nenhum dos mortos era do acampamento.

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