Intoxicação por chumbo pode causar insuficiência renal
O médico do trabalho, doutor em Saúde Pública e professor de Saúde Comunitária da Universidade de Estadual de Londrina Paulo Roberto Gutierrez explica que a intoxicação por chumbo pode ser aguda ou crônica. O tipo agudo, segundo ele, é caracterizado por uma exposição rápida a uma grande concentração de chumbo e o principal sintoma são fortes cólicas abdominais. Já o tipo crônico é caracterizado por uma exposição longa em baixas e médias concentrações de chumbo. Neste caso, segundo ele, os sintomas - que aparecem ao longo do tempo - são sonolência, diarréia, dores de cabeça, fadiga muscular e impotência sexual.
Segundo o médico, se não tratada, a intoxicação crônica pode provocar alterações neuromusculares até chegar ao ponto da síndrome da mão caída - quando a pessoa não tem força para pegar ou segurar qualquer coisa - e alterações renais, que podem levar a uma insuficiência renal.
Gutierrez diz que, hoje, é muito difícil encontrar casos de intoxicação aguda por chumbo até em trabalhadores que lidam com o material. Segundo ele, empregados de fábricas de baterias, tubos de PVC, cerâmica e pinturas só são considerados intoxicados quando têm acima de 60 microgramas de chumbo por decilitro de sangue (ug/dL) e quando apresentam alteração de uma enzima, a acidodeltaminolevulínico (Ala-U).
Se um trabalhador desta área apresenta entre 40 e 60 ug/dL, está intoxicado? Não necessariamente. Quando vemos uma pessoa com taxa de 50 ug/dL, por exemplo, sabemos que está trabalhando em um ambiente poluído. Mas se não apresentar alteração da Ala-U, não significa que esteja intoxicado, afirma. Se o trabalhador tiver até 40 ug/dL, segundo o médico, não há nenhum problema. Já examinei um operário, certa vez, que tinha uma taxa de 100 ug/dL e, embora fosse altíssima, ele não tinha nada, estava muito bem, conta.
Segundo Gutierrez, quando não se trata de trabalhadores na área, 40ug/dL é a taxa limite. Ao contrário do ferro, nosso organismo não precisa de chumbo. Então não o absorve. Porém ele é muito usado pela indústria atual, inclusive na conservação de alimentos enlatados. Então é comum encontrar populações que nem moram perto de uma fábrica de bateria, por exemplo, com uma taxa significativa de chumbo no sangue, explica.
Há três anos, Gutierrez pesquisou o assunto com moradores da zona sul de Londrina não expostos ao chumbo, e colheu sangue de cerca de mil pessoas. A média ficou em torno de 8 a 10 ug/dL. Se a população estiver exposta, com uma fábrica nas proximidades, a taxa pode ser um pouco maior, sem ser necessariamente prejudicial. (T.E)





