Pelo menos 56 pessoas estavam internadas ontem, em hospitais do Extremo-Oeste do Estado, vítimas de intoxicação alimentar. Todas participaram de um jantar de casamento em uma comunidade rural de Santa Terezinha de Itaipu (25 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu), no último sábado. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ninguém corre perigo de vida.
As causas da intoxicação só serão conhecidas oficialmente em um mês, quando o Laboratório Central do Estado (Lacen) vai divulgar a análise de amostras de alimentos consumidos na festa. Para o médico veterinário Márcio Girotto, chefe da Vigilância Sanitária Municipal, a causa mais provável é a contaminação pela bactéria salmonella, que teria se desenvolvido na salada de maionese caseira servida no jantar.
No preparo da salada foram usados ovos crus, produzidos na propriedade rural do pai da noiva. A produção desses ovos não passou por inspeção sanitária. A salmonella se desenvolve na gema do ovo. Quando o produto é cozido por pelo menos dez minutos, à temperatura de 60 graus centígrados, a bactéria é destruída. ‘‘A maioria das pessoas que comeu a maionese passou mal’’, disse Girotto.
Cerca de 200 convidados participaram da festa, realizada na comunidade rural de Barro Branco, a cinco quilômetros da cidade. Além dos 56 hospitalizados até ontem, outras 15 pessoas procuraram hospitais da região e foram liberadas após medicação. O casal de noivos não havia apresentado problemas até ontem.
Os sintomas da intoxicação - vômito, diarréia, dor de cabeça e febre - começaram a aparecer no domingo pela manhã, cerca de dez horas após o jantar. O período de incubação da salmonella dura entre oito e 72 horas. Por isso, Girotto acredita que outras pessoas possam ser internadas até a noite de hoje.
A apuração da causa da intoxicação ficará comprometida porque a sobra da maionese servida foi jogada fora após o jantar. Os exames serão feitos nas fezes de dez pacientes e em pedaços de churrasco e bolo servidos na festa.
Foi o segundo caso de intoxicação em massa registrado em Santa Terezinha de Itaipu nos últimos seis meses. Em novembro do ano passado, 800 pessoas foram contaminadas por salmonelose na festa anual da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, no bairro Parque dos Estados.
Na época, a Polícia Civil abriu inquérito, que acabou arquivado sem apontar culpados. Para tentar solucionar o problema, em março a prefeitura promoveu curso de orientação com pessoas de dez comunidades urbanas e rurais que preparam alimentos em festas.

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