Intimidade com agulhas e linhas
O ex-administrador de fazenda Luciano Guerin, de 62 anos, foi criado no campo e se acostumou à lida de sol a sol. Na juventude, porém, o pai o fez aprender o ofício de alfaiate, talvez prevendo que um dia a habilidade com as linhas e tesouras seria a garantia de sustento da família. E assim tem sido desde o final da década de 80, quando Luciano e a mulher, Thelma Eloísa Guerin, 56, resolveram montar uma confecção, que depois de uns anos se transformou em facção (que costura peças por atacado, para indústrias).
Ele confessa que no começo estranhou a nova rotina de trabalho. ''A gente fica preso dentro de casa o dia inteiro, mas acabei me acostumando'', garante Luciano, que se desiludiu com o trabalho pesado e mal remunerado da roça. Telma, que sempre costurou as próprias roupas, não teve dificuldades em se adaptar. ''O duro é que nem brigar a gente briga, porque as máquinas fazem muito barulho e a gente tem que trabalhar concentrado para não errar. Então não tem muita graça'', brinca o costureiro, deixando o sangue italiano falar mais alto.
Provocações à parte, a parceria do casal é como manda o figurino - ela faz a parte do serviço que ele não gosta, e vice-versa. ''Eu prego zíper, faço gola e acabamentos. Ele monta a peça, que eu acho a parte mais difícil'', revela Thelma.
Sobre o trabalho, na maioria das vezes exercido por mulher, Luciano também não tem queixas. ''Nunca sofri preconceito e também nunca tive vergonha de falar que costuro. Hoje em dia não tem mulher mecânica? Cada um faz aquilo que se adapta ou conforme a necessidade'', ensina. (S.L.)





