Acompanhados por um oficial de Justiça e por um representante da Secretaria de Educação de Londrina, interventores foram nomeados ontem à tarde da direção da Creche-Escola Governador José Richa, no Conjunto Violim (zona norte), e do Centro de Educação Infantil Ouro Branco, no Parque Ouro Branco (zona sul). O juiz da Vara da Infância e da Juventude, Ademir Ribeiro Richter, concedeu despacho favorável ao pedido de intervenção feito pelo Ministério Público, por causa de suspeitas de irregularidades.
A secretária de Educação, Magda Tuma, orientou os seis interventores (três em cada creche) a fazerem um levantamento do número de funcionários, a situação em se encontram, desde pagamento de salários até os encargos sociais. Além disso, eles deverão verificar saldos bancários e dívidas emergenciais. O objetivo, segundo Magda, é regularizar a documentação para que o repasse das verbas municipais R$ 9 mil para a José Richa e R$ 5,8 mil para a Ouro Branco volte a ser feito.
Os ex-diretores Valdemir Martins, da Ouro Branco, e Lourdes Roratti Euclides, da José Richa, não resistiram ao afastamento. ''A transição foi tranquila'', comentou a gerente de Gestão Compartilhada da secretaria, Marisa Cristina dos Santos Tumiotto.
Foram nomeados para a creche Ouro Branco Marcel Franchi Nogueira, Maria da Glória dos Santos e Maria Sonilda Santos Machado. Na creche José Richa foram empossados Ilza Maciel Chaves, Ivone Parente e Welli Terezinha Abramovicht. Os dois negam as acusações de irregularidades.
O procurador geral do município, Carlos Scalassara, aguarda decisão da Justiça sobre uma ação civil, em que pede ressarcimento de danos, na ordem de R$ 305 mil, à antiga diretoria da Creche Nissia Rocha Cabral, no Conjunto Aníbal Siqueira Cabral (zona sul), no período de 1997 a 2000.
Foram citados no processo uma empresa e três pessoas, entre elas, a ex-presidente da entidade Josefina dos Santos Vieira. Entre 15 tipos de irregularidades suspeitas, a procuradoria cita a aquisição de mercadorias estranhas à atividade da creche, como bebidas alcoólicas, produtos de beleza e ração para cachorro; notas fiscais adulteradas, e de empresas já encerradas.
A procuradoria pede ainda a indisponibilidade dos bens dos envolvidos, a suspensão dos direitos políticos, pagamento de multas e condenação por danos morais por macularem a imagem da administração pública. A creche sofreu intervenção no ano passado, mas hoje já está regularizada. A Folha procurou o advogado de Josefina, mas não foi encontrado.
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