Interventora vai assumir Educandário
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quarta-feira, 20 de outubro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Liminar concedida anteontem pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, Ademir Ribeiro Richter, acatou o pedido do Ministério Público (MP) para nomeação de um interventor na Unidade Social Oficial de Internação (Usoil) de Londrina, também conhecida como Educandário. A interventora foi indicada pelo MP e deve assumir o cargo na próxima segunda-feira quando deve iniciar também os estudos de readequação do local. A intervenção tem um prazo de seis meses prorrogáveis por mais seis.
Segundo a promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, que ingressou com a ação contra o Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), a unidade está em desacordo com a legislação.
Inaugurado no final de julho, já nas primeiras semanas de funcionamento e com adolescentes ocupando pouco mais da metade da capacidade de funcionamento, 80 pessoas, o Usoil registrou vários tumultos, uma rebelião e duas fugas. Um laudo do IML também comprovou agressão sofrida por 22 adolescentes, supostamente durante uma operação do Pelotão de Choque da Polícia Militar e houve, ainda, um caso de agressão sexual entre internos e um surto de sarna.
Outro problema apontado pela promotora, que baseou a ação em visitas pessoais e documentos apresentados por funcionários e Conselho Tutelar, é a falta de atividades pedagógicas. Entre os problemas citados pelos funcionários - quatro se demitiram - está a falta de capacitação. ''O que queremos com essa intervenção é a implantação de cursos de capacitação permanentes para a equipe e a normatização de uma série de procedimentos, incluindo regimento interno'', afirma Edina.
A promotora não quis adiantar o nome da interventora mas afirmou que é uma profissional com doutorado na área do adolescente infrator. A interventora terá o auxílio de mais dois profissionais.
O presidente do Iasp, José Wilson de Souza, disse ontem que pretende comentar o assunto apenas depois da notificação. Ele afirmou, contudo, que se surpreendeu com a intervenção. ''Os problemas acabaram, os funcionários estão indo bem, não sei porque uma intervenção agora. Há quinze dias a promotora aventou, inclusive na imprensa, a possibilidade de sentar e discutir o assunto. Eu estava aguardando o termo de ajuste'', afirmou.
Ele também não descartou a possibilidade de recorrer da liminar. ''Preciso ver em que termos é essa intervenção, quem vai pagar, enfim, me detalhar para então tomar uma decisão, mas nada nos impede de recorrer'', finaliza. Atualmente a unidade está com 47 internos.


