O interventor do patrimônio do Banco Bamerindus indicado pelo Banco Central, Flávio de Souza Siqueira, acionou o Batalhão de Polícia e as autoridades do Oeste do Paraná para protegerem a fazenda. ‘‘O interventor foi notificado da movimentação do MST ontem à tarde e imediatamente tomou as providências para garantir o patrimônio do banco’’, informou Valdir Frazão, assistente do interventor.
Para os representantes do Banco Central que estão administrando os bens que pertencem ao Banco Bamerindus, caso se confirme a invasão serão adotados todos os procedimentos de acordo com a lei. Segundo Frazão, a fazenda é uma propriedade particular, pertence ao grupo Bamerindus e atualmente está indisponível. Mas não significa que está à disposição para reforma agrária.
Frazão frisou que o interventor do Bamerindus está preocupado com a ameaça de invasão e teme uma depredação do patrimônio, já que a fazenda é considerada modelo de produtividade e de pesquisas agrícolas. ‘‘Ele garantiu que vai proteger a fazenda, que é o seu papel de interventor’’, afirmou Frazão.
‘‘Se houver invasão vamos pedir a reintegração de posse e caso a Justiça destine a área para reforma agrária o Incra terá que pagar pelo valor de mercado da terra’’, destacou Frazão. Ele afirmou ainda que o interventor do Bamerindus desconhece qualquer compromisso do ministro extraordinário de Política Fundiária Raul Jungmann de destinar patrimônio dos bancos com intervenção para a reforma agrária.
O coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, afirmou que a decisão de acampar na frente da fazenda Mitacoré é uma sinalização que o movimento está ‘‘de olho na área’’. ‘‘Nós não esquecemos a afirmação do ministro Jungmann de destinar área sob intervenção para a reforma agrária e agora pretendem cobrar esse compromisso’’, afirmou.

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