Luciana Pombo
De Curitiba
O delegado Leonyl Ribeiro, interventor do Instituto Médico Legal (IML) desde o último dia 11, confirmou ontem que foram encontradas diversas irregularidades dentro da instituição. Entre os principais problemas destacados por ele estão desvio de laudos, dados irregulares e que não correspondem à realidade e desconexão de função entre os próprios funcionários do instituto. ‘‘Estamos ainda apurando todos os dados, juntando as provas, ouvindo os funcionários e levantando todas as denúncias. Fatos novos estão surgindo’’, declarou ele.
Ribeiro contou ainda que diversos laudos suspeitos desapareceram dos arquivos do IML. ‘‘Não sabemos porque os laudos desapareceram, quem os retirou ou para onde eles foram. O que sabemos é que eles não estão mais nos arquivos’’, afirmou. Estão sendo apuradas denúncias de falsificação de laudos, adulteração de resultados de exames de toxicologia e necropsia, comercialização de cadáveres.
O delegado citou como exemplo de investigação que está sendo realizada o caso do exame de sangue de Cleber Ricardo Dias Yamashita, coletado no IML de Maringá. Divulgado com exclusividade pela reportagem da Folha, o primeiro laudo, datado de dezembro de 1998, demonstrava que o corpo de Yamashita tinha 1,82 grama de álcool etílico por litro de sangue examinado. Mas o resultado oficial, encaminhado com a assinatura do médico legista Francisco Moraes e Silva, diretor afastado do IML, dizia que devido ao ‘‘mal acondicionamento e transporte inadequado das amostras, a realização do exame foi inviabilizada.’’ Para Ribeiro, se não houve má fé neste caso, houve no mínimo falha administrativa.
Apesar do afastamento de Moraes e Silva, todas as demais funções administrativas foram mantidas no IML. De acordo com Ribeiro, esta é uma estratégia para verificar se existe a participação de qualquer funcionário na adulteração de laudos de necropsia. ‘‘A suspeita paira sobre várias pessoas. Temos que analisar com cuidado para não cometermos nenhuma injustiça’’, disse ele.
O interventor salientou que não tem prazo definido para o término das investigações, mas pretende concluir todo o levantamento de informações até o final do primeiro semestre deste ano. ‘‘São inúmeras as denúncias e poderão vir mais coisas’’, argumentou. Um dos problemas mais graves que precisam ser contornados, segundo ele, é a desconexão de funções dentro do órgão. ‘‘Falta um ordenamento administrativo. Não tem uma sequência de ações. Alguns funcionários estão em funções trocadas’’, afirmou.
As conclusões do trabalho de intervenção farão parte de um relatório circunstanciado que será encaminhado ao delegado João Ricardo Képes Noronha, diretor da Polícia Civil. ‘‘Vamos mostrar falhas e sugerir medidas administrativas. Poderei pedir mudanças de funções entre os funcionários, dependendo do que for apurado’’, declarou.

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