Se atualmente o marceneiro Natalim Alves, 54 anos, e a faxineira Luzia da Silva Rodrigues conseguem comer e dormir bem é graças à intervenção da Justiça. Portadores de um tipo raro de câncer no sangue (linfoma não Hodgkin), eles precisaram recorrer à Promotoria de Defesa da Saúde Pública para ter acesso a um medicamento importado que custa cerca de R$ 7,5 mil cada ampola.
Alves contou que descobriu a doença no final de 1999, quando começou o tratamento. No início, o plano de saúde que possui cobriu os custos e bancou as sessões de quimioterapia. Há um ano, ele realizou um transplante de medula em Jaú (SP), mas como a doença reapareceu alguns meses mais tarde, seu médico lhe prescreveu um medicamento importado Mabthera que protege órgãos vitais como o coração e deveria ser incluído no tratamento quimioterápico.
Como seu plano de saúde não cobria a compra da droga, que ainda estava em fase de testes e não tinha a licença do Ministério da Saúde brasileiro, sua esposa Lourdes Ortiz Alves, 52 anos, se inspirou numa reportagem de TV e procurou o promotor Paulo Tavares.
Ele ingressou com um mandado de segurança e, em outubro do ano passado, a Justiça deferiu o pedido, obrigando a Cemepar a fornecer o medicamento. ''Sem essa ajuda, não tínhamos condições de comprar o remédio, que junto com a quimioterapia ficava em mais de R$ 13 mil por mês'', apontou Lourdes. ''O brasileiro é muito mal informado mas graças a Deus minha mulher foi atrás. Hoje, durmo e como bem e até tomo uma cervejinha de vez em quando'', comemorou Alves. O tratamento, às vezes, sofre atrasos porque o medicamento não chega na data correta mas, mesmo assim, o marceneiro está confiante de que dessa vez vai se livrar da doença.
A faxineira Luzia da Silva Rodrigues, 45 anos, descobriu o câncer em outubro de 2003, por causa de um inchaço anormal nas amigdalas. Internada no Hospital Universitário (HU), ela passou por uma cirurgia e deu início aos ciclos de quimioterapia. Quando faltavam três sessões, a faxineira apontou que o HU teria dito que não poderia mais fornecer o medicamento Mabthera o mesmo usado por Alves gratuitamente e indicou que a via judicial seria a única saída para ela. ''Se a Justiça não tivesse resolvido não tinha mais quem poderia ajudar. Esse remédio salvou a minha vida'', agradeceu Luzia.
Quem procurou a promotoria foi o marido da faxineira, o porteiro José Aparecido Rodrigues, 42 anos. Ele teve que apresentar um laudo do médico hematologista do HU, Roberto Franzin Coelho, atestando que a paciente precisava da medicação e um comprovante de residência em Londrina. ''Foi tudo muito fácil'', elogiou.
A Folha procurou o médico para falar sobre o assunto mas ele não atendeu à solicitação de entrevista. (L.A.)

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