Intervenção causou debate franco e divertido
''Uma pequena intervenção, que salvou a obra. O arquiteto (Artigas) não ficou satisfeito, mas houve a solução'', rememora o engenheiro de cálculo estrutural José Augusto de Queiroz o que fez, 56 anos atrás, para evitar que a cobertura da rodoviária caísse. A solução, dois suportes ao final da sucessão das abóbodas, se mantém até hoje, assim como a convicção do engenheiro quanto ao risco que havia.
Motivo de satisfação à época, pois o engenheiro era recém-formado, a intervenção ainda ganha relevo hoje, quando há ''outro jeito'' - o profissional pode recorrer ao computador. ''O que eu fiz foi com a régua de cálculo'', lembra Queiroz. E acredita que a compreensão de Artigas deveu-se à própria formação de engenheiro antes de ser arquiteto.
Em 1983, Queiroz anfitrião, Artigas ''ficou meio chocado, mas deu os parabéns''. Queiroz recorda que Artigas ''bateu o olho no pilar e perguntou: Quem foi o filho da p... que pôs aquilo ali?'' Lembrado do encontro de ambos para tratar do caso, em 1956, acalmou-se: ''Ah! Me lembro. Oh! Professor, me desculpe...''
Queiroz fora contratado em 6 de julho de 1956 pelo Departamento de Obras da Prefeitura e, com as chuvas de setembro, constatou o vazamento de água por uma fissura no tubo ao lado de um pilar. Isso o levou a consultar Artigas e o calculista da obra, em São Paulo. Daí foram colocados os suportes (''mão francesa''), ante a impossibilidade de se restaurar o pilar, que estava rachado.
Embora argumentasse que o prédio permaneceria incólume sem os suportes, Artigas ressalvou que a providência não o magoava. ''Acredito que a pessoa que os colocou o fez com o mesmo amor com que elaborei o projeto, visando, certamente, preservar o prédio'', declarou à imprensa. Queiroz, por sua vez, nunca renunciou à convicção em contrário: ''Quem afirmar que tira e não cai, pode tirar. Eu fico na Rua Sergipe olhando. Se não cair no dia, cairá depois''. (W.S.)





