O dia-a-dia do consumidor brasileiro é sempre cheio de situações incômodas. Desrespeito, mal-atendimento, filas e mais filas. Foi dia desses, numa casa lotérica de Maringá, que uma senhora, aparentando 50 anos, contava para sua ‘‘colega de fila’’ o constrangimento a que foi submetida na abertura de um crediário. ‘‘A vendedora só faltou perguntar o meu tipo de sangue’’, reclamou sobre o minucioso interrogatório para uma compra que não alcançava R$ 50,00.
A mulher tinha ouvido a promoção dos artigos da loja pelo rádio e ficou atraída pelos bons preços. Dona de casa e dependente do salário do marido, ela decidiu comprar os guardanapos, toalhas e cortina para cozinha a prazo e, para isso, teve que preencher o cadastro para crediário. Até aí tudo bem, mas o que ela não esperava é que a lista de perguntas fosse tão extensa. Além do nome completo, número dos documentos pessoais e endereço, a vendedora começou a perguntar sobre a renda do casal, nomes de pessoas conhecidas com endereço e telefone. Perguntou ainda se o casal tinha bens, que tipo – se apartamento, casa ou carro. Foi nesse momento que a consumidora se irritou.
Ela disse que concordava em dar as informações básicas, suficientes para a vendedora fazer a consulta ao serviço de proteção ao crédito, mas não conseguia imaginar a finalidade das demais perguntas.
A compra não foi de fato suspensa porque, ao ameaçar deixar a loja diante da lista ‘‘interminável’’ de perguntas, um outro vendedor, talvez até o próprio gerente, se antecipou e encerrou o interrogatório, aprovando em seguida o cadastro da cliente.
É claro que a investigação pessoal para a abertura de crédito é necessária devido ao alto índice de inadimplência no comércio, mas algumas lojas ou sistema de crediário acabam abusando desta prerrogativa. A prova de que as informações básicas sobre a consumidora seriam suficientes para a liberação do crediário é que o segundo vendedor o fez rapidamente. Incentivar uma investigação mais sucinta sobre o consumidor não implica, necessariamente, em ser negligente na abertura do crédito. Ao contrário, indica uma relação de respeito com o consumidor.

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