Interprofissionalismo na saúde
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Discutir a necessidade do trabalho interprofissional em saúde para melhorar o atendimento à população. Esse foi o motivo principal da participação da professora Marina Peduzzi, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutora em Saúde Coletiva pela Kings College do Reino Unido. Ela esteve ontem no Hospital Universitário, na conferência ''O trabalho multiprofissional em Saúde'', promovida pelo Programa Pró Saúde II, do Ministério da Saúde (MS). Diante de profissionais e docentes das áreas de saúde, a enfermeira levantou questões como a complexidade dos serviços e a ausência de integração entre os profissionais de diferentes setores.
''Entendemos que o cuidado e atenção à saúde dos usuários do serviço, seja nas unidades básicas de saúde ou nos hospitais, necessita da integração das ações realizadas por diferentes profissionais, para que seja possível dar uma resposta mais efetiva às necessidades da população e melhorar a qualidade do serviço, seja público ou privado'', explica.
Como necessidade dos usuários, Marina entende que vai além dos cuidados técnicos e científicos. Ela diz que o trabalho humanizado merece ser priorizado pelos profissionais que devem saber ouvir e estabelecer vínculos com os pacientes, fazendo com que eles percebam que os médicos, enfermeiros e técnicos, estão genuinamente interessados nele.
Marina ainda observa que no Brasil houve um avanço na discussão da prática interprofissional no Sistema Único de Saúde (SUS), mas não em relação à educação compartilhada. Segundo ela, a educação interprofissional significa que dar aos estudantes uma oportunidade de contato e convivência com alunos de outras áreas, para que eles possam reconhecer o que é específico de cada área e como eles poderão aproveitar essa especificidade para melhorar o atendimento à população, quando profissionais.
''Eles devem reconhecer que a qualidade de seus cuidados vai depender também do quanto eles conseguem colaborar e coordenar as ações que desenvolve junto com outros profissionais. É preciso estimulá-los durante o aprendizado teórico em sala de aula e o prático, nas unidades e hospitais'', revela.
Já em relação aos profissionais atuantes, ela cita a importância das capacitações, com abordagem não só da área específica, mas todas envolvidas nos serviços de saúde, pois eles também são exemplos para os estudantes desenvolverem habilidades e atitudes favoráveis para a colaboração entre as áreas.
''À medida em que ampliamos o conhecimento do que é ter sáude, que não é só não ter doença, mas condições de vida com trabalho adequado, lazer e moradia, levantamos a necessidade de um trabalho integrado. É reconhecer que para estarmos bem, com uma boa atenção à saúde, é preciso um conjunto muito complexo de intervenções, e essa complexidade é que nos leva à ideia do interprofissionalismo'', afirma.


