Interpol deve colaborar na investigação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de maio de 1997
Valmir Denardin Sucursal de Foz do Iguaçu 
ReproduçãoSessões em grupoNorma Graciela Rojas, mulher de Gunter Merz, aparece em uma das fotos com o menor J.J., que depôs ontemA Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) e o governo paraguaio deverão ajudar a Polícia Civil de Foz do Iguaçu nas investigações sobre as atividades do alemão Gunter Merz, 48 anos, e sua mulher, a paraguaia Norma Graciela Rojas, de 30. O casal foi preso sabado acusado de produzir filmes pornográficos e promover orgias com a participação de crianças e adolescentes.
Ontem, o delegado-adjunto da 6ª Subdivisão Policial (SDP) de Foz do Iguaçu, Roberto Fernandes, que comanda as investigações sobre o caso, adiantou que, ainda esta semana, formalizará pedido à Interpol para que forneça informações sobre a vida de Merz na Alemanha e no Paraguai, países em que ele viveu antes de se mudar para Foz do Iguaçu, há cerca de quatro anos.
Fernandes pedirá também a colaboração do governo paraguaio na tentativa de localizar uma adolescente paraguaia chamada Sandra, hoje com 13 anos, que aparece nas gravações fazendo sexo com adultos e também com um adolescente de 15 anos.
Sediada em Paris (França), a Interpol garante a cooperação internacional das polícias dos 138 países que integram o acordo. Queremos que eles nos ajudem a levantar a ficha policial dele (Gunter Merz), para tentar elucidar possíveis ligações com redes internacionais de pornografia e tráfico de mulheres, explicou Fernandes.
A Folha apurou que, em 11 de fevereiro deste ano, a polícia alemã enviou à Justiça paraguaia um pedido para que Merz fosse extraditado para seu país de origem, caso viesse a ser preso. Ele era procurado no Paraguai e na Alemanha por corrupção de menores. No Paraguai, Merz já cumpriu pena de sete meses de prisão por falsificação de documentos.
A polícia tentará também contar com a ajuda do Consulado do Paraguai em Foz do Iguaçu. O objetivo é tentar localizar no Paraguai a adolescente Sandra, que teria sido trazida de Assunção a Foz do Iguaçu com a promessa de trabalhar como empregada doméstica no apartamento do casal de estrangeiros.
A mãe de Norma, Ida Rojas, disse ao delegado Fernandes que Sandra já teria se mudado para a Argentina. Ida teria intermediado a vinda da menina para a casa da filha. Segundo o delegado, ela afirmou que pensava que seria para trabalhar como empregada doméstica e que não sabia de nada sobre os filmes pornográficos e as orgias.
O delegado trabalha com a suspeita de que a mãe de Norma Rojas esteja mentindo e que ela atuasse, na verdade, como agenciadora de meninas para a produção dos filmes.
Além de Sandra e do adolescente J.J., duas outras crianças - uma menina entre oito e nove anos e outra com cerca de 15 anos - aparecem nas fitas produzidas pelo casal. Essas duas meninas ainda não foram identificadas pela polícia.


