Uma rebelião no início da tarde de ontem no Centro de Sócio-educação de Londrina, o Educandário, resultou em ferimentos leves em um funcionário e em um adolescente. A confusão, segundo a direção da unidade, foi liderada por internos classificados como sendo de alta periculosidade, que já teriam liderado rebeliões em outras unidades paranaenses. Eles subiram no telhado e enfrentaram e agrediram educadores e a Polícia Militar. Essa foi a rebelião mais violenta das cinco ocorridas desde abril, quando a unidade foi reinaugurada.
Segundo o coordenador dos educadores, Ricardo Peres, por volta das 13 horas, logo após o almoço, sete adolescentes que estavam na ala B do Educandário renderam e feriram com um estoque um educador, destruíram a tela que protege o pátio e atingiram o telhado. Os internos rebelados danificaram instalações internas, quebraram calhas, a instalação elétrica e parte do telhado. Na confusão, um dos internos cortou o pé. Tanto o educador quanto o adolescente feridos precisaram receber atendimento médico.
O grupo de internos permaneceu rebelado por pouco mais de uma hora. O Pelotão de Choque foi acionado e ao tentar conter os internos foi atacados com pedaços de pau. O mesmo aconteceu com educadores que tentaram ajudar os policiais com escudos mas também foram agredidos. Depois do confronto, a rebelião foi controlada.
Peres esclareceu que os sete adolescentes que promoveram a rebelião haviam chegado a unidade há cerca de 20 dias e são considerados bastante perigosos. Três dos envolvidos são maiores de 18 anos. ''São casos com um comprometimento infracional muito grande. Alguns deles já lideraram rebeliões em Foz do Iguaçu e Curitiba'', afirmou o coordenador dos educadores.
O fato positivo, apontou Peres, é que na ala B - que abriga adolescentes que chegaram há pouco na unidade e ainda estão sendo introduzidos no projeto pedagógico - havia pelo menos 13 internos alojados mas somente sete participaram da rebelião. Para ele, é um índício de que o sistema de trabalho da unidade tem dado resultado porque os que ficaram de fora haviam chegado a mais tempo e já estavam familiarizados com a rotina disciplinar.
Os adolescentes que participaram da rebelião terão sua situação ante a Justiça ainda mais complicada. Além das infrações que já respondem, terão acrescentadas em suas fichas os crimes de tentativa de homicídio, agressão, destruição do patrimônio público, entre outros. A unidade tem capacidade para abrigar 52 adolescentes infratores, mas ontem contava com 47.
Desde que foi reinaugurado, em abril deste ano, este foi a quinta confusão registrada no Educandário e a segunda em que houve feridos. A última aconteceu em novembro, durante o Feriado de Finados, quando internos também atingiram o telhado provocando danos materiais. O Centro de Sócio-Educação foi inaugurado oficialmente em julho do ano passado mas em menos de seis meses teve de ser interditado para reformas por causa dos constantes tumultos, rebeliões e fugas e por falhas na segurança.

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