Kraw PenasCaosCorredor das ‘celas’ também foi cenário de destruiçãoTrinta e seis menores se rebelaram ontem no Serviço de Atendimento Social, do Centro Integrado de Atendimento ao Menor Infrator, em Curitiba. Armados com lâmpadas e paus, os adolescentes ameaçaram os educadores da instituição, tentando pegar as chaves das portas para fugir. Eles foram contidos pelos próprios funcionários, que conseguiram fechar os internos no refeitório, até a chegada da Polícia de Choque.
O diretor do Serviço de Atendimento Social (SAS), Francesco Serale, informou que a rebelião começou na hora do almoço. Serale disse que dois jovens tentaram imobilizar um dos funcionários, para pegar a chave que abria o refeitório. Enquanto quatro educadores tentavam segurar os menores, os outros internos começaram a depredar a sala, arrancando lâmpadas fluorescentes e pedaços de madeira do forro, que passaram a ser usados como armas.
‘‘Os líderes da rebelião eram sete internos, que fomos isolando num canto, afastando-os dos outros que ainda estavam indecisos em aderir ou não à revolta’’, contou o educador Clemar Vieira, que levou uma paulada na cabeça. Isolados dentro do refeitório, os sete rebelados continuaram destruindo o local, parando apenas com a chegada da polícia. ‘‘Não foi preciso o uso de força para controlar esses jovens. Tudo foi resolvido com 15 minutos de diálogo’’, descreveu o tenente Nelson Bay, que liderava o Batalhão de Choque. A rebelião terminou às 15 horas.
No confronto entre educadores e os jovens, três funcionários (César Pelanda, Nielsen Fernandes e Mário Monteiro) ficaram feridos, sendo encaminhados para o Hospital Cajuru. ‘‘Eles tiveram cortes nas mãos e nos braços, mas nada muito grave’’, afirmou o diretor, Francesco Serale.
Serale disse que os sete jovens rebelados deverão ficar no isolamento nos próximos dias, estando proibidos de receber a visita da Páscoa. No feriado, o sistema de segurança será redobrado, para evitar novas confusões.
Quanto aos garotos que começaram a rebelião, o diretor disse que vai descrever os fatos ocorridos durante o motim ao Juizado de Menores. ‘‘Provavelmente, eles serão penalizados pelos atos que cometeram’’, disse Serale. No entanto, esta nova penalidade não causa medo aos jovens. G.S., 16 anos, disse que os outros internos vão se rebelar caso as visitas da Páscoa sejam suspensas. ‘‘O pau vai comer se a gente não puder ver a nossa família’’, ameaça.

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