A maioria dos internos do Melvi confirmou a falta de acompanhamento médico, mas disse estar satisfeita com o ''tratamento'' dado pela entidade. W.R.C., 33 anos, sofre de problemas psicológicos e chegou a ser dependente de remédios antidepressivos antes de ser encaminhado ao Melvi. ''Estou aqui há seis meses e gosto do tratamento, tanto que não tomo mais remédios. Mas continuo tendo dificuldade para dormir e não tenho psicólogo ou médico para conversar'', disse.
W.R.C. afirmou ainda que trabalha na limpeza da casa e ajuda a fazer comida em panelas velhas e em um fogão à lenha. C.D., 50, é alcoolista e também confirmou que não recebia acompanhamento médico. ''Mesmo assim não tenho o que reclamar. Só tenho que agradecer este pessoal porque eles me receberam para tratamento nos últimos oito meses.''
O presidente do Melvi, pastor Claudionor Rodrigues, disse que já chegou a ter 40 homens vivendo no local. Sobre a falta de acompanhamento médico, ele afirmou que ''depende de trabalho voluntário''. Rodrigues disse ainda que as entidades filantrópicas precisam de mais apoio dos governos municipal e estadual. ''Se recebêssemos R$ 50 mil, resolveríamos todos os problemas e melhoraríamos as condições do local. Esperamos que as pessoas se conscientizem do problema e nos ajudem'', comentou o pastor.
O Melvi funciona no Jardim Ideal há 16 anos e ocupa uma área de 16 mil metros quadrados o proprietário do imóvel não cobra aluguel da entidade. Além de instalações precárias e acúmulo de lixo, o terreno conta com um plantio improvisado de arroz. Segundo Rodrigues, mais de cinco mil dependentes já haviam passado pelo local.

mockup