Internos armados em educandário levam agentes a paralisar trabalho
As atividades no Educandário São Francisco, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), foram paralisadas na tarde de ontem depois que funcionários desconfiaram da presença de armas brancas entre os internos. O educandário é a única instituição que abriga menores infratores no Estado.
Os 17 educadores se recusaram a trabalhar e só iniciariam o seu turno se a PM desencadeasse uma operação de busca, o que gerou agitação entre os menores. Soldados do Batalhão de Choque encontraram dois estoques após uma hora de revista autorizada pelo Juizado de Menores.
O clima no educandário era tenso desde sexta-feira, quando 12 menores tentaram pular um muro de cinco metros de altura para fugir. A ação foi frustrada pelos policiais que fazem o patrulhamento externo. Neste mesmo dia, após receber informações dos funcionários sobre a presença de armas brancas como facas, canivetes e estoques, a PM realizou uma busca para encontrar armas, mas a operação nada localizou.
A instituição tem capacidade para abrigar 160 adolescentes e tem hoje cerca de 180 menores. Esta população não preocupa os responsáveis pela administração do educandário. O presidente do Instituto de Assistência Social do Paraná (Iasp), Aluísio Pacheco, disse que não há superlotação e o atual número de internos não compromete os serviços prestados aos menores.
Pacheco acredita que os dois estoques encontrados ontem à tarde tenham entrado no educandário durante o final de semana, período de visitas dos familiares dos garotos. Em janeiro passado, o educandário registrou a primeira rebelião do ano que foi contida pelo Batalhão de Choque. Cerca de 60 menores iniciaram uma rebelião para tentar escapar. Dois internos conseguiram fugir. Quatro educadores foram feridos e três mantidoscomo reféns por mais de duas horas.
Apesar dos problemas envolvendo tentativas de fuga e armas neste início de ano, o presidente do Iasp acha que as situações são comuns para uma instituição como educandário. Os menores que se armam e provocam motins são uma minoria no educandário, afirmou. Para ele, casos esporádicos fazem parte da rotina da instituição. Pacheco negou que os funcionários do educandário tenham paralisado os serviços na tarde de ontem exigindo mais segurança para trabalhar.
Para Pacheco, os menores que saem do educandário voltam para casa em condições melhores do que quando entraram.





