Foz do Iguaçu - Embora nunca tenham usado um teclado, os irmãos Siqueira devem uma fatura para a rede mundial de computadores. Depois de 30 anos sem notícias um do outro, os agricultores Antônio, Lourenço e Pedro se encontraram em Foz do Iguaçu graças à internet e a uma criança de sete anos.
O reencontro tem origem numa cidadezinha gaúcha, onde o menino João Vítor já navega por páginas da internet com uma destreza capaz de fazer inveja aos adultos. Em março, o garoto participou de uma roda de chimarrão com o tio Antônio, um gaúcho de 71 anos, o mais velho dos filhos do patriarca Siqueira.
Papo vai, papo vem, Antônio fala sobre a saudade dos ‘‘caçulas’’, que se mudaram do município após se casarem nos anos 70. Desde então, cultiva imagens de Lourenço e Pedro na memória. Antônio diz ter recorrido às cartas, cooperativas, a uma rádio famosa nos pampas, mas nenhum sinal, nenhuma pista.
Atento à conversa, o astuto João sai de mansinho, com uma idéia. Ele coloca os nomes dos tios numa lista telefônica virtual por estado. ‘‘Se os meus tios tiverem telefones, seus nomes devem aparecer na tela’’, raciocina o garoto. Passada uma hora, o moleque encontra os endereços dos parentes, hoje moradores de Santa Catarina e do Paraná.
A façanha da criança recebe como recompensa um forte abraço de todos, além de presentes e homenagens. Os contatos telefônicos são sucedidos de surpresa, alegria, choro e lembranças. Resta apenas marcar o local do reencontro. Compradas as passagens, rodados quilômetros de estrada, chega o grande dia.
Lá estão os três no pequeno sítio, em Foz. Antônio, Lourenço e Pedro, acompanhados das esposas e de uma prole sem tamanho. Todos, numa prosa interminável. Os mais velhos ainda duvidando da chegada do homem à Lua, os mais novos brincando. E o pequeno João Vítor rindo da ignorância digital daqueles senhores, louco para virar herói outra vez.

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