Os alunos da Escola Municipal Ignez Corso de Andreazza, no Conjunto Vivi Xavier, na zona norte de Londrina, participam semanalmente de atividades no laboratório de informática da instituição de ensino. A professora Alcíbela Cilene do Rio, responsável pelo laboratório, trabalha o conteúdo de forma integrada com os professores. Durante as aulas, os alunos revisam os assuntos vistos em sala de aula com auxílio de jogos, programas e pesquisas na internet.
Este tipo trabalho pedagógico desenvolvido pela escola ainda não é frequente nas escolas brasileiras. A pesquisa "Aprendizagem móvel no Brasil", realizada pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, em escolas públicas de Brasília, Curitiba, Goiânia, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, apontou que apenas 9% dos professores e 7% dos alunos têm acesso frequente à internet no ambiente escolar.
Segundo dados do Centro de Estudo sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), 95% das escolas públicas brasileiras proporcionam acesso à internet e 85% possuem laboratório de informática, mas 40% das escolas públicas urbanas não estão preparadas para a aprendizagem móvel, em função da baixa velocidade da internet.
Segundo o Censo Escolar 2014, no Paraná, 98,2% das 2.147 escolas estaduais oferecem acesso à internet e 95,4% possuem computadores para uso dos alunos. Em Londrina, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação, das 84 escolas municipais, 32 têm laboratório de informática com acesso à internet.
Para a professora Alcíbela, o uso da internet como ferramenta pedagógica está incorporado na cultura escola. "Já tem escolas que adotaram o uso de tablets dentro da sala de aula e outras caminham para adotar o celular como uso educativo", afirma a professora.
Alcíbela enfatiza que os alunos com dificuldades de aprendizado apresentam avanços consideráveis quando passam a frequentar as aulas no laboratório. "Eles conseguem visualizar os conteúdos e desenvolvem o raciocínio lógico", explica.
Mas nem todos os professores estão preparados para incorporar o uso da rede em sala de aula. Os dados do Cetic apontam que 48% dos professores da rede pública aprenderam a usar o computador e navegar pela internet sozinhos e 53% declararam que não cursaram nenhuma disciplina específica sobre computadores e internet durante a faculdade. Alcíbela, que está se especializando na área, avalia que a escola, como instituição, ainda não oferece estrutura adequada para que os professores utilizem a rede como ferramenta. "Os professores, muitas vezes, não têm internet à disposição. O professor tem que usar a sua própria estrutura", aponta.

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