A Internet, além da infinidade de possibilidades que oferece, também vem sendo usada para inflar o ego dos praticantes de ''rachas'' ilegais. Numa pesquisa rápida em sites que exibem vídeos amadores, é fácil encontrar filmes de motoristas - a grande maioria homens jovens - acelerando a mais de 200 km/h em vias de grande movimento. Em Londrina, o problema voltou a ser discutido porque no final de semana um servente de pedreiro morreu, supostamente, durante um ''pega''.
Do Paraná, há vídeos de rachas na Capital e no Interior. Em Londrina, por exemplo, no site de relacionamentos Orkut, é possível encontrar simpatizantes e descobrir locais onde as disputas são realizadas.
No Youtube, além de vídeos dos rachas legais feitos no Autódromo Ayrton Senna, há muitos outros realizados em avenidas e até nas rodovias que cortam a região. Num deles, quatro motos aceleram na BR-369, na saída para Cambé. Em outro, dois veículos arriscam suas próprias vidas e de outros motoristas e pedestres em uma disputa na Avenida Higienópolis. Outras disputas foram filmadas nas avenidas Leste-Oeste e 10 de Dezembro.
No mesmo site, é possível assistir rachas - de carros, motos e até de bicicletas - gravados em outras cidades paranaenses e em Curitiba. Num deles, gravado em Mandaguaçu, dois motociclistas se ''enfrentam'' em plena luz do dia numa rodovia de acesso à cidade.
Os pegas também são bastante populares em comunidades e perfis do Orkut. Na comunidade ''Eu jhá tirei racha em Londrina'', por exemplo, existem 124 membros cadastrados. Uma outra - ''racha na Friends'' - tem 419 ''sócios'' e confirma que um dos pontos mais usados pelos praticantes deste tipo de disputa na cidade é a BR-369, na saída para Ibiporã. A página informa até o dia em que os ''rachas'' ocorrem.
Senha
Na madrugada de domingo, Roberto de Oliveira, 26 anos, dirigia um Tempra e se chocou contra a traseira de um caminhão de lixo, na Avenida Higienópolis (Região Central). A namorada dele, Alessandra Aparecida de Jesus, 30, estava no veículo e contou à FOLHA que no semáforo da Higienópolis com a rua Dulcídio Pereira um outro carro - ''um Gol ou um Tipo cinza'' - emparelhou e começou a acelerar. Era senha para iniciar a disputa.
''Ele nunca tinha feito isso comigo. Eu pedia pelo amor de Deus para parar mas ele não falou nada até bater no caminhão'', detalhou Alessandra. Ela apontou que o rapaz havia bebido algumas cervejas. ''Acho que a causa (do acidente) não foi a bebida, mas a velocidade que ele estava'', comentou.
O perito Luciano Bucharles, do Instituto de Criminalística (IC), calculou que Oliveira estaria a pelo menos 118 km/h quando bateu. ''Ele estava 136% acima da velocidade máxima permitida para o local, que é de 50 km/h'', apontou. Marcas no asfalto e os danos no carro indicam que o servente tentou desviar do caminhão mas não conseguiu. O perito não encontrou vestígios da participação de outro veículo no acidente. O laudo deve chegar à Delegacia de Trânsito ainda hoje.
O comandante da Companhia de Trânsito, tenente Ricardo Eguédis, encarou o acidente como um caso de ''imprudência total'' do motorista e lembrou que a avenida é palco constante de blitze. ''As operações vão continuar, fiscalizando inclusive situações de embriaguez'', avisou. Denúncias podem ser feitas ao 190 ou 181 da PM.

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