As redes sociais criaram uma nova forma de medir a distância entre a fama e o anonimato. Tudo é uma questão de números de acessos. Quem conseguir contabilizar alguns milhares deles pode, em tese, de um dia para o outro, estampar jornais e revistas, aparecer na TV e em rádios e sites de notícias. É justamente isso o que muitos querem: tornar-se famoso rapidamente e, de preferência, ver importantes portas abrindo-se à sua frente. O problema é que a preocupação com a visibilidade é tanta que quase não se pensa na efemeridade
do sucesso e nas dificuldades da vida após a fama.
Com a facilidade de postar vídeos caseiros na internet, crianças e adolescentes têm sido tão expostos quanto os adultos, potencializando os riscos que normalmente já são maiores para estas faixas de idade. A psicóloga e terapeuta familiar Margareth Alves, de Londrina, alerta que, quanto menor a idade, menos maturidade emocional as novas celebridades têm para lidar sozinhas com uma realidade baseada em números tão significativos. Estima-se que, atualmente, quase 74 milhões de pessoas se conectem diariamente à rede no Brasil.
Tanta gente usando a tecnologia para se informar, trabalhar ou simplesmente se divertir, tem ajudado a tornar famosos até aqueles tipos mais improváveis, como o nerd assumido Paulo Cesar Siqueira (ou simplesmente PC Siqueira), que conquistou milhares de seguidores ao postar no YouTube comentários sobre assuntos banais, como a sua dificuldade em assistir filmes 3D ou o seu costume de urinar sentado no vaso sanitário. Os usuários da rede se identificaram tanto com o garoto franzinho que ele acabou ganhando um programa na MTV.
O mesmo caminho vem sendo seguido por candidatos a fenômenos do esporte, da música, da moda e até da religião. André Bossolan, que já representou vários clubes de futebol europeus no Brasil, define a internet como uma importante ferramenta de trabalho, mas observa que imagens captadas na web apenas dão início ao processo, que pode ou não resultar na contratação do atleta. ''É o primeiro passo para que o clube conheça alguma característica do jogador e sua qualidade técnica. Se o Departamento de Captação gostar do que viu, vai solicitar DVDs com jogos inteiros e, se for o caso, enviar representantes para avaliar in loco a atuação do atleta.''
Também no meio musical o site de vídeos e as redes de relacionamentos são cada vez mais indispensáveis para quem persegue a fama. ''Acho que mais gente nos viu pela internet do que pela TV'', calcula o guitarrista Renan Muliterno, da banda pop londrinense Naxx, que participou do programa Astros, do SBT. Ao lado dos outros três integrantes do grupo, Gustavo Rodrigues (bateria), Daniel Murata (vocal) e Eduardo Sahão (baixo), ele conta que o primeiro vídeo foi parar na rede na época em que eles participavam do reality, e no primeiro dia já contabilizaram mais de 80 mil acessos. ''Foi um marco para nós. Hoje, somando todos os vídeos postados, já são quase meio milhão de acessos'', revelam.
Presente ainda no Facebook, Twitter e Orkut, a banda usa a internet como principal ferramenta para divulgação do seu trabalho, que inclui versões de grandes sucessos da música pop e composições próprias.

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