'Internar só em casos extremos'
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terça-feira, 10 de julho de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A nova Secretaria de Estado da Criança e da Juventude nasce com a proposta de inserir o adolescente que cometeu crime na escola e em programas de qualificação de mão de obra - como o Projeto Aprendiz. A secretária Telma Alves de Oliveira, que presidia o Instituto de Ação Social do Paraná (IASP), acredita na captação de recursos de várias secretarias para conseguir alavancar projetos que ajudem o jovem a ter acesso ao esporte, ao lazer, à profissionalização e à escolarização. ''Temos que parar de pensar o jovem com políticas de prevenção. Não vem na pobreza o gene da bandidagem. Senão não existiria criminoso letrado. Temos que dar os mesmos direitos para o adolescente pobre e o adolescente rico'', ponderou ela.
No Paraná existem 738 vagas para internação de adolescentes que cometeram crimes. Outras 262 vagas estão sendo criadas. Em 2002, eram 509 vagas e os adolescentes ficavam juntos num mesmo espaço físico. Onde antes havia 14 jovens, agora há no máximo quatro. ''A regra é socializar. E só internar em casos extremos'', disse a secretária. Para semi-liberdade, existem 57 vagas que deverão ser praticamente dobradas até 2008. Cerca de 1,3 mil servidores trabalham com jovens que cometeram crimes no Paraná, além de 82 terceirizados - que atuam em copas e cozinhas.
Hoje, 117 adolescentes participam do Programa Aprendiz -que dá emprego aos jovens em serviços públicos. A maior parte deles trabalha na Copel, na Sanepar, na Universidade Estadual de Maringá (UEM), na Secretaria de Estado de Educação, na Secretaria de Estado do Trabalho e na Secretaria de Estado da Saúde. Existem 283 unidades de abrigo no Paraná, com 3,7 mil jovens. ''Estamos vivendo numa geração acostumada com o Estado que brinca de ser mínimo, sem atendimento social. Estamos numa cultura neoliberal, com sintoma social agudo. Precisamos modificar este quadro'', disse ela.


