Funcionários e adolescentes internados na Unidade Social Oficial de Internação de Londrina (Usoil), também conhecida como Educandário, estão correndo risco de morte. A afirmação é do juiz Ademir Ribeiro Richter, da Vara de Infância e Juventude. Em entrevista coletiva, ontem, ele alertou para o problema após receber um termo de declarações com o depoimento de sete educadores da instituição. Os funcionários foram convocados na quarta-feira pela promotora da Infância e Juventude, Edina Maria Silva de Paula.
No depoimento à promotora, eles contaram que a situação ficou preocupante na segunda-feira, quando foram transferidos para Londrina 11 adolescentes, sendo que quatro deles teriam liderado a rebelião do Educandário São Francisco, em Curitiba, ocorrida no dia 23 de setembro e que resultou na morte de sete jovens. A Usoil recebeu, ainda, quatro adolescentes de Cambé que teriam executado, na delegacia da cidade, um amigo de dois internos da instituição.
Segundo os funcionários, uma correspondência endereçada para pessoa de fora da unidade, interceptada há um mês, indicava a existência de uma conspiração para executar esses jovens de Cambé que hoje estão no Educandário. Na mesma data, foi transferido de Foz do Iguaçu um adolescente responsável pela morte de outro garoto.
A correspondência, de acordo com os declarantes, foi repassada ao Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp). O juiz informou que a receptação da carta, entre outros motivos, incentivou um princípio de rebelião, anteontem, que foi contida pela equipe do Educandário. ''Aquilo é um barril de pólvora prestes a explodir'', opinou Richter.
O depoimento revela que alguns educadores sofreram agressões dos internos, inclusive com registro de boletim de ocorrência. Outra denúncia é que há vários adolescentes - entre eles os que cometeram crimes sexuais - ameaçados de morte pelos demais internos. Segundo os funcionários ouvidos, eles não receberam treinamento para negociar, em caso de rebelião; para conter os internos, se necessário; e para realizar defesa pessoal. Outra preocupação é que o local não oferece condições de evacuação.
Richter afirmou que havia pedido na semana passada ao Padre Roque Zimmermann, secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, para não mandar mais internos a Londrina até que os problemas da unidade fosse resolvidos. Na ocasião, ele avisou sobre a intervenção da Justiça no Educandário. ''Querem fazer uma rebelião aqui? Não estão contentes com o que aconteceu em Curitiba?'', questionou o juiz, que está negociando o nome de um novo interventor para a unidade, já que Laura Okamura, inicialmente cotada para a função, não poderá assumir. O nome do interventor será anunciado na semana que vem.
Ele pretende mandar um ofício ao Iasp solicitando que não sejam encaminhados mais adolescentes para a Usoil. Tentará, também, remanejar os internos que vieram de Curitiba.

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