James Alberti
De Curitiba
A empregada doméstica Sirlene Aparecida Pinto, acusada de intermediar a adoção ilegal de um casal de gêmeos de Campo Largo, deve se apresentar hoje, por volta de 17 horas, ao delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Herbert. Segundo Herbert, o advogado da empregada doméstica, José Antonio Farias de Brito, havia afirmado que ela iria depor hoje. Sirlene trabalhava no apartamento 31 do Palace Batel, no Bairro Batel, em Curitiba, e teria indicado um casal para adotar as crianças. O depoimento dela é crucial para o rumo das investigações sobre o caso.
Os bebês nasceram no dia 5 de novembro do ano passado e teriam sido adotados irregularmente 18 dias depois. Os pais dos gêmeos, Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos, e Natálio Fisrzter, 29 anos, já foram indiciados em inquérito sob acusação de terem vendido as crianças em troca de cestas básicas por um ano e material de construção. Segundo Herbert, o mesmo ocorrerá em relação a empregada doméstica se for comprovado que ela recebeu dinheiro para intermediar a adoção.
O delegado acreditava ontem que os bebês estavam na Região Metropolitana. A demora de Sirlene em se apresentar seria, segundo ele, uma estratégia dos pais adotivos para ‘‘ganhar tempo e concluir a adoção’’. O processo de adoção é irreversível, embora os pais adotivos e os resposáveis pela intermediação possam ser processados.
Tudo pode ter sido em vão, porém, caso seja verdade que nem Marisa nem Natálio assinaram um documento desistindo da guarda das crianças. Marisa afirmou no Sicride que, talvez, Natálio tivesse assinado os papéis. Ele, no entanto, nega. Para Herbert, uma possível adoção é ‘‘totalmente nula’’, sem a desistência dos pais biológicos.

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