Interiorização do coronavírus muda rotina de Sertanópolis

Cidade possui 40 casos confirmados e três óbitos; falta de conscientização é apontada por moradores e diretor da Sermusa

Laís Taine - Grupo Folha
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A interiorização do novo coronavírus impacta a rotina de município menores. Em Sertanópolis (Região Metropolitana de Londrina), a Covid-19 tenta impor novo comportamento aos 16.369 habitantes da cidade, mas encontra resistência. As praças ainda são ponto de encontro e as máscaras não estão em todos os rostos que circulam nas ruas, demonstrando que os desafios das metrópoles repetem-se no interior. 


Interiorização do coronavírus muda rotina de Sertanópolis
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O cartaz acima do equipamento de ginástica instalado na praça aponta: “Interditado”, mas um senhor utilizava o aparelho como um banco para o descanso. “As pessoas não estão se prevenindo como deveriam, tem muito idoso na rua, eles circulam na praça, as filas nas casas lotéricas chegam a assustar”, menciona ele, sem perceber que cometia a mesma desobediência. 




Interiorização do coronavírus muda rotina de Sertanópolis
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O entorno do Terminal Rodoviário é um ponto de encontro dos moradores e de chegada e saída para as cidades vizinhas, como Londrina. Com a chegada da pandemia, menos ônibus partem e chegam, comprometendo o comércio local. “O movimento caiu muito, aqui a gente depende da circulação dos ônibus e como agora tem restrição de horário, diminuiu muito o fluxo”, comenta Flaviane Dias Neves, 38, atendente em loja de variedades. 


“O que a gente tem feito é atender em domicílio, montando sacolas, com todo cuidado e segurança para os clientes”, afirma. O marido, Vinícius Neves, 33, é produtor musical, e com menos trabalho no setor, está ajudando a esposa na loja que pertence a sua mãe. “A loja ficou fechada durante um tempo, agora abre das 9h às 18h. O movimento está fraco, as pessoas não estão comprando, estão priorizando comer”, aponta ele. 


Vinícios Neves e Flaviane Neves adotaram novas formas de atendimento para superar a crise
Vinícios Neves e Flaviane Neves adotaram novas formas de atendimento para superar a crise | Lais Taine - Grupo Folha
 


O casal também. Os dois têm uma filha e dividem quintal com os pais de Vinícius. Com a crise, as duas casas decidiram compartilhar as refeições, como uma das estratégias de economia. Para Flaviane, há senso de comunidade na cidade. “A gente ajuda e conta com a ajuda das pessoas. Por exemplo, minha filha está estudando em casa, vemos muitas professoras das escolas se colocando à disposição dos alunos para dar continuidade ao ano letivo e as mães também, a gente fica em contato e uma ajuda a outra”, menciona. 


Ela aponta que as autoridades têm adotado novas posturas e que depende muito do cidadão obedecer. O lago, assim como a academia ao ar livre em frente ao seu comércio, é um espaço público e precisou ser fechado. “Muita aglomeração, as pessoas não pararam de se reunir nesses locais”, menciona. Esse movimento ficou mais intenso, segundo o casal, nas últimas semanas. “Teve o decreto dos bares para funcionamento até as 20 horas, nós começamos a ver aumentar muito a aglomeração e festas particulares. Até então, nós tínhamos três casos, cinco casos, depois deu uma explosão”, aponta. 


Interiorização do coronavírus muda rotina de Sertanópolis
 


O município tem atualmente 40 casos confirmados e três óbitos, segundo o boletim divulgado na segunda-feira (29), pela Prefeitura de Sertanópolis. “A gente teve um aumento considerável no número de casos, mas estamos testando bastante, que é uma recomendação até da Sesa (Secretaria do Estado da Saúde). Nós já realizamos quase 200 testes, então acabamos encontrando mais gente, porque muito assintomático acaba testando positivo”, afirma Ilto de Souza, diretor superintendente do Sermusa (Serviço Municipal de Saúde). 


Ele afirma que todo exame feito em laboratório particular reconhecido pelo Lacen (Laboratório Central do Estado do Paraná) é contabilizado no boletim, que apresenta 192 testes realizados, 139 descartados e 13 ainda aguardam resultado. Dos 40 confirmados, apenas um está internado, 15 são considerados recuperados e 21 estão em isolamento domiciliar. 


O município tomou algumas atitudes para minimizar a circulação do vírus na cidade. “A gente faz basicamente o que Londrina tem feito e seguimos todo o Estado do Paraná como referência”, aponta. Nas ruas, é possível encontrar algumas pessoas sem máscaras e praças continuam sendo o local de encontro entre amigos. 


“Ainda falta muita consciência da população, às vezes você percebe que muita gente não usa máscara. Aqui tem muita chácara de lazer e muita gente vem de fora, então a gente fica fiscalizando festas particulares em residência e nas chácaras. Na medida do possível, porque não tem efetivo muito grande”, afirma. 


CONTÁGIO FORA DA CIDADE

Idosos nas ruas, em praças, em bares e em supermercados preocupa moradores de Sertanópolis. Terezinha Flávero, 58, é confeiteira e precisa ir ao supermercado com frequência para comprar os ingredientes. “Em dias de oferta tem bastante gente e justamente quem não pode, porque vem idoso, principalmente no começo e final do mês. Eu trabalho com isso, então tenho que comprar, mas quando saio de casa é uma vez só”, aponta. 


No supermercado em que ela tinha acabado de sair, foram dispostos álcool em gel na entrada e avisos sobre uso de máscara. O diretor da Sermusa diz que a prefeitura tem orientado sobre os cuidados nesses locais. “A gente está sempre conversando, apontando a questão da segurança, assepsia, limitação de pessoas, a gente busca o diálogo para que essas ações sejam realizadas pelos supermercados”, aponta. 


Outro assunto entre a população de Sertanópolis é a questão da infecção fora da cidade, considerando que os três óbitos por Covid-19 teriam ocorrido em pacientes que não tinham suspeitas, mas que utilizaram hospitais da região para tratamento de doenças. As comorbidades e tempo de internação teriam prejudicado ainda mais o estado de saúde, levando os pacientes a óbito. 


Atualmente, a cidade conta com 40 casos confirmados. “A gente tem trabalhado muito com a conscientização da população e precisa da contribuição, a gente vê que todo o Paraná está um pouco fora do que a gente gostaria para ter êxito e aqui muita gente vem de fora e muita gente vai para fora”, aponta Souza.  




Sobre os casos confirmados na cidade, a prefeitura estabeleceu uma UBS como referência de atendimento para Covid-19 e síndromes gripais como forma de trazer mais segurança aos pacientes e profissionais. “Quando tem confirmação, fazemos o atendimento aqui, isola o paciente e faz o acompanhamento. Se for necessário hospital, encaminhamos para o HU (Hospital Universitário de Londrina), conforme a central orienta”, explica. 

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