Interesses políticos atrasaram a obra
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 1997
Carina Paccola 
Marcos BorgesCríticaVieira, no terreno onde será construída a nova Cadeia: A obra já poderia estar em andamentoA caótica situação carcerária dos Distritos Policiais em Londrina vai continuar até que seja construída a Cadeia Pública - prevista, na melhor das hipóteses, apenas para 1998. A obra, que começou anteontem a ser licitada, já teria começado se motivos políticos não tivessem interferido na escolha do local.
Essa é a opinião do presidente do Conselho Municipal de Segurança, Irineu Abílio Vieira. Ele afirma que a Câmara Municipal, de olho nas últimas eleições, acabou cedendo às pressões dos moradores do Jardim Acapulco (zona sul), que resistiram à idéia de a Cadeia ser construída em terreno daquele bairro, doado pela Prefeitura.
A obra talvez já estivesse em andamento, diz Vieira. Para o Conselho, o Jardim Acapulco seria ideal por causa da proximidade com o 5º Batalhão da Polícia Militar e com a Penitenciária Estadual de Londrina. O presídio será moderno, com todas as condições de segurança, garantindo tranquilidade àquela região, diz Vieira. Mas a Câmara não quis respaldar a decisão do Conselho.
A Cadeia, que na verdade deveria ser chamada de Presídio Provisório, vai desafogar os quatros distritos policiais de Londrina. Eles abrigam 198 presos mas têm capacidade apenas para 104. O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, conta que os DPs já chegaram a ter 210 presos. Esse número oscila sempre.
A construção de uma cadeia é demorada, afirma Leonyl, porque requer atenção em muitos detalhes, como encanamento hidráulico e elétrico e o tipo de material usado. Tudo tem que ser pensado para prevenir fugas, para não ser transformado em arma pelos presidiários. Tanto o projeto como a construção são mais lentos do que a de um prédio comum.
Irineu Vieira e o delegado concordam: o antigo Cadeião da rua Sergipe oferecia mais segurança à população do que os distritos policiais. Leonyl Ribeiro lembra que, quando a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) começou a ser construída, ela seria destinada para os presos que aguardam julgamento. O delegado fala que problemas políticos - o delegado não quer entrar em detalhes - mudaram a função do presídio. Na época também faltava vaga para o preso condenado. Talvez, estrategicamente, a escolha tenha sido para resolver o problema do preso condenado. Hoje, vemos que desativar o Cadeião não foi o melhor caminho.
O projeto inicial da PEL realmente era para contemplar os presos que aguardam julgamento. Hoje ela cumpre muito bem a sua função. Do ponto de vista social ficou bom porque os presos ficam perto da família que é de Londrina e passam por um processo de reabilitação, mas não resolveu o cotidiano da Cidade, enfatiza Vieira.
Leonyl Ribeiro ressalta que, tecnicamente, o Cadeião não tem condições de receber os presos de volta. O custo da reforma seria mais alto talvez que a própria construção da nova Cadeia.
Espaço físico aquém da necessidade não é o único ponto crítico dos DPs em Londrina. Falta também pessoal para fazer a guarda dos distritos. A Polícia Civil tem hoje 90 policiais: 62 investigadores, 23 escrivães e 15 delegados. E nenhum carcereiro. Para o trabalho de carceragem, investigadores acabam se virando. Em cada distrito, são quatro ou cinco investigadores responsáveis por todo o serviço: investigação, carceragem, serviço administrativo e escolta. Eles podem ser bons investigadores, mas a carceragem exige conhecimento diferenciado, diz o delegado-chefe de Londrina.
A Polícia Militar, explica o delegado, tem a função de fazer a guarda externa dos presídios mas, nos distritos, não há estrutura para esse serviço. A PM tem nos atendido sempre que solicitada, diz Leonyl. O delegado afirma que o Governo do Estado vai abrir concurso para policiais a qualquer momento. Ele estima que seria necessário pelo menos dobrar o número de policiais na Cidade. Mas acha difícil que o Governo do Estado contrate a quantidade ideal de funcionários. Eu só espero que a nova Cadeia tenha funcionários próprios, carcereiros e não o pessoal da Polícia Civil.


