Londrina - A auxiliar de supervisão da Escola Arthur Thomas, Denise Cristina Kusaba Soares, também visitou a escola indígena pela primeira vez. "Percebi que existem mais semelhanças do que diferenças. Nós já tínhamos explicado aos alunos que os índios já não eram mais da maneira como eram antigamente, como são retratados nos livros. Foi uma forma deles aprenderem ao vivo o que aprenderam nas aulas de História e Geografia", analisou.
Segundo a pedagoga da Escola João Kavagtãn, Rosenes Aparecida Tomazoni, a principal diferença no método de ensino é que os professores trabalham de acordo com a realidade deles. "Não dá para trabalhar aqui com um livro didático utilizado nas escolas da área urbana. Aqui todas as atividades são trabalhadas em português e em kaigang. Além disso os horários precisam ser mais flexíveis, mas precisamos cumprir as 200 horas determinadas pela Secretaria Estadual de Educação", ressaltou.
Rosanes explicou que um dos principais desafios é fazer com que os alunos da terra indígena mantenham o interesse pela cultura de seus ancestrais. "Eles acham que tudo o que o branco faz é bonito e o que os índios fazem é feio; estão deixando de participar de rituais tradicionais. O problema é que se eles perderem todas essas características, deixam de ser índios."
O professor João Sales de Oliveira é um indígena que dá aulas do dialeto kaigang para os terceiros anos do Ensino Fundamental na TI Apucaraninha. Ele ressaltou que a principal diferença que percebeu entre os dois grupos de crianças é que entre os índios há um respeito maior aos mais velhos. "Eles respeitam os professores. Não saem correndo e gritando e permanecem em silêncio", comparou. Ele destacou que a principal pergunta que seus alunos fizeram foi ‘por que eles falam tanto?". Mas ele ressalta que os alunos da TI, depois que conhecem bem a pessoa, conversam tanto como as outras crianças.
O aluno da Kavagtãn, Fernando Kokay, de 8 anos, confirmou isso e disse que só não se aproximou mais porque tem vergonha de falar com estranhos, mas emendou algumas perguntas sobre como era a escola no centro de Londrina e se gostava das aulas. Todas devidamente respondidas. (V.O.)

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