Cursos universitários que até há pouco tempo eram os mais disputados por vestibulandos estão sendo deixados de lado, e passam a ser preferenciais aqueles ligados a profissões e atividades econômicas emergentes no País. Esta tendência está sendo verificada na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), de acordo com opções apontadas por inscritos para o multivestibular que será realizado em dezembro.
Edson MazzettoEstudantes de Medicina da Unioeste: curso sofreu desgaste e perdeu conceito de ‘nobre’
Segundo o presidente da Comissão Permanente de Concurso Vestibular (CPCV) da Unioeste, Tarcísio Vanderlinde, o que é observado na instituição segue ‘‘uma tendência nacional’’, com procura pelos chamados cursos ‘‘modernos’’ e ‘‘dessacralização’’ de outros. Porém, a qualidade dos cursos também influi na opção dos candidatos - o antigo curso de Agronomia, um dos mais conceituados da Unioeste, terá este ano concorrência mais de quatro vezes superior à do ano passado.
O caso de Medicina é exemplar, na Unioeste. No vestibular do ano passado, a concorrência neste curso, implantado há dois anos em Cascavel e que no início era considerado ‘‘nobre’’, foi de 61 inscritos para cada uma das 20 vagas. Agora, são apenas 37,7 candidatos por vaga. O curso foi cercado de polêmica e disputas judiciais, porque a reitoria não esperou autorização de órgãos oficiais para implantá-lo, o que contribuiu para seu desgaste.
O conceito de alguns cursos, mesmo que antigos, mostra que eles merecem a atenção dos candidatos, e é o caso de Agronomia (Cascavel). No ano passado, a concorrência foi de 2,5 candidatos para cada vaga, e agora é de 11,7 candidatos. Este é o curso de melhor avaliação (feita este ano) na Unioeste, segundo o Ministério da Educação, obtendo graduação 4 na escala que vai até 7.
Entre os cursos para os quais teoricamente há melhor possibilidade de colocação no mercado de trabalho, o de Informática (Cascavel) passou de 7,6 candidatos por vaga para 17,7. Também houve grande crescimento em Ciência da Computação, em Foz do Iguaçu, passando de 5,4 para 13,3 concorrentes. Igualmente em Foz do Iguaçu, o curso de Turismo (com amplo mercado profissional) tem forte disputa - em 97, foram 9 concorrentes por vaga, e agora são 13,3.
Outra constatação importante na Unioeste é relacionada ao tradicional curso de Pedagogia. Contrariando o entendimento generalizado de que a carreira de professor estava deixando de ser atrativa, o número de candidatos para as aulas diurnas (e apesar do horário) dobrou, de 6,1 para 12,3. ‘‘A carreira volta a ser valorizada, e no País é um dos dez cursos de maior ascensão em universidades’’, relata Tarcísio Vanderlinde. Recorde - A Unioeste bateu este ano o recorde de inscrições para seu multivestibular, que será realizado entre 2 e 4 de dezembro, em cinco campus regionais e uma extensão. O total de inscritos foi de 15.742 - no ano anterior, foram 12,4 mil. O sistema de multivestibular atraiu muitos candidatos, pois lhes permite optar (após aprovação) por um entre até três cursos para os quais se candidatarem.
Também contribuiu para o aumento do número de inscritos a existência de um novo campus em Francisco Beltrão e da extensão (em Medianeira), que se somam aos campus de Cascavel, Foz do Iguaçu, Toledo e Marechal Cândido Rondon. O maior número de inscritos é de Cascavel (6.262), seguido de Foz do Iguaçu (2.196). Os candidatos disputarão 1.880 vagas, em 34 cursos.

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