A situação precária do 3º Distrito Policial (DP) de Londrina, parcialmente destruído por uma rebelião quarta-feira, provocou atritos dentro da própria Polícia Civil. O delegado do 3º DP, Jurandir Gonçalves André, pediu ontem ao juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, a interdição do distrito e a transferência dos 45 presos.
O 3º DP fica no jardim Bandeirantes (zona oeste) e, no momento da rebelião, estava com 86 presos, quando a capacidade é para 32. Depois que a rebelião foi controlada, alguns presos foram transferidos para a Penintenciária Estadual de Londrina (PEL), outros distritos da Cidade e municípios da região.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Wanderci Corral Fernandes, reagiu à solicitação de André ao juiz da VEP: ‘‘A única autoridade para isto sou eu. Em momento algum tive a intenção de pedir a interdição, pois até segunda-feira o 3º DP estará recuperado e os presos voltarão para suas celas’’.
Quarenta e cinco detentos ainda continuam no 3º DP, porque não foram encontradas vagas em outras cadeias. Eles estão em quatro das oito celas que não foram destruídas - média de 11 presos em cada cubículo. ‘‘Continuamos na mesma situação (celas superlotadas), com o agravante de que agora os presos viram que a fuga é possível e vão tentar outras vezes’’, diz o delegado.
Por causa da falta de segurança do distrito, André decidiu pedir a interdição para que possam ser feitas as reformas necessárias. ‘‘É preciso fazer um reforço na estrutura do presídio.’’ Ele explica que uma obra fundamental é o reforço no piso (aumentando a espessura do concreto). Na sua opinião, se a espessura do piso fosse maior, os presos não teriam conseguido perfurar o concreto e cavar o túnel por onde os três detentos fugiram.
Jurandir André diz que a única solução emergencial até a reforma do prédio é remover os 45 presos para a PEL. ‘‘A penitenciária só pode receber presos condenados, só que como não existe em Londrina uma cadeia pública para abrigar os detentos, deve-se pensar nesta solução paliativa’’, afirma. ‘‘A PEL é o único presídio que oferece condições de segurança.’’
O juiz Roberto do Valle, que também é o corregedor dos presídios, vistoriou o 3º DP e disse que, independente de quem solicitou, poderá interditá-lo. Amanhã ele vistoriará o 5º DP. ‘‘Dependendo das condições que encontrar, até 1º de março tomarei a decisão de interditá-los ou não.’’
O delegado-adjunto da 10ª SDP, Acácio de Azevedo, explica que o Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom) foi notificado sobre os danos no 3º DP. SEgundo ele, o Decom deve realizar um levantamento do custo da reforma no local e enviar um relatório para a Secretaria de Segurança Pública, em Curitiba.
A Secretaria de Segurança é a responsável pela liberação da recursos para a reforma. Não existe prazo para a chegada dos recursos. Acácio de Azevedo explica que o mesmo procedimento foi adotado no 5º DP (zona norte), quando presos destruíram algumas celas durante rebelião em agosto do ano passado. A reforma não foi realizada até hoje.
O delegado-chefe, no entanto, disse que a recuperação dos estragos no 3º DP será feita pela Prefeitura. Ontem mesmo servidores fecharam o túnel cavado pelos detentos para a fuga. Segundo Fernandes, a Prefeitura também fará reparos no 5º DP.
A polícia ainda não tem pistas dos três fugitivos do 3º DP - José Luciano Dias, Valdemir Pires e Reinoldson Gomes Ferreira.

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