Intercâmbio visa desenvolver políticas para a mulher
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Duas norte-americanas, ligadas a movimentos femininos, visitaram Londrina na semana passada, quando conheceram as políticas públicas e organizações sociais que tratam do combate à violência contra as mulheres. Wendy Mota Kasongo, coordenadora da Aliança contra a violência doméstica de Conecticut, e Shonda Pettiford, presidente do Fundo Feminino do Oeste de Massachussets e relações públicas da Universidade de Massachussets, pariciparam de um intercâmbio voltada a lideranças femininas. Elas destacaram o fato de no Brasil existirem delegacias exclusivas para atendimento às mulheres.
Segundo Shonda, se pudesse levar para os EUA um modelo utilizado no Brasil, optaria pela delegacia de atendimento especializado. Segundo ela, esse serviço não existe em seu país. Porém, ela destacou que acha o atendimento brasileiro muito burocrático, já que muitas vezes a vítima precisa recontar a história várias vezes.
Wendy informou que nos Estados Unidos a vítima só precisa contar o que sofreu uma vez. "Depois de ser atendida, a vítima pode voltar para casa e o restante fica a cargo de quem trabalha nos bastidores, coletando depoimentos dos demais envolvidos e com pessoas que convivem com ela", reforçou.
Durante a estadia em Londrina, elas conheceram as atividades da associação "Nós do Poder Rosa" e visitaram, além da Delegacia da Mulher, a secretaria municipal da Mulher, a Vara Maria da Penha e o Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CAM).
Shonda atua na Universidade de Massachussets. "Mas o que mais tem a ver com esse programa de intercâmbio é o que faço no Fundo Feminino do Oeste de Massachussets. Trabalhamos com mudança social", ressaltou. Segundo ela, a
organização para qual trabalha voluntariamente fornece dinheiro para mulheres vítimas de violência recomeçarem a vida.
Wendy explica que a Aliança contra a violência doméstica realiza um trabalho semelhante ao do CAM. Localizado no bairro Aeroporto (zona leste), a coordenadoria londrinense conta com uma equipe multidisciplinar para atendimentos a vítimas.
A advogada londrinense Vânia Regina Silveira Queiroz, do movimento Nós do Poder Rosa, participou da primeira fase do programa, idealizado pela ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, e apoiado pela primeira-dama Michelle Obama. Durante dois meses, no semestre passado, ela permaneceu nos EUA.
O programa visa desenvolver políticas para a segurança e saúde da mulher, promovendo a troca de experiências dentre vários países.
Na primeira fase 14 brasileiros foram aos Estados Unidos e nessa segunda fase 13 americanas vieram ao Brasil e se dividiram em oito estados. "De Londrina só eu participei do programa, por isso a cidade foi escolhida para receber as duas norte-americanas", informou Vânia. Ela afirmou que para fazer o intercâmbio participou de um processo seletivo, realizado em conjunto pelos governos brasileiro e norte-americano.
"Eu aprendi muito sobre arrecadação de fundos, como mobilizar a sociedade, como fazer encaminhamentos aos governos e como envolver os empresários nos programas sociais", descreveu a advogada. "Temos o compromisso com os governos americano e brasileiro de aplicarmos no Brasil o que aprendemos. Se formos convocadas temos que estar disponíveis a qualquer momento. Wendy e Shonda também tiveram esse compromisso´´, destacou.


