Rompimento dos limites. Este é um dos pontos mais importantes da educação à distância na visão dos pedagogos. Quando se fala em internet, fax, vídeo cassete, é possível também se falar em uma educação que ultrapassa as quatro paredes da sala de aula.‘‘O único problema’’, diz o professor e doutor da área de educação da PUC, Péricles Gomes, ‘‘é o aspecto interativo da coisa’’.
Segundo o especialista, é preciso recriar entre os alunos o mesmo nível de interação que ocorre entre os alunos de uma sala de aula. ‘‘Não aquela coisa do professor lá na frente, estático, mas a troca de experiências com os colegas’’, explica Gomes. ‘‘Muitas vezes a pessoa não sabe aprender sozinha e precisa de uma motivação para isso. Quando isso acontece, ou seja, quando ele tem motivação, o ensino tem resultados’’.
Quando aliado à chamada educação aberta, o ensino à distância se torna ainda mais complexo, mas não menos interessante. De acordo com o pedagogo, o único cuidado deve ser o da supervisão. ‘‘Eu vejo com bons olhos a quebra da rigidez do ensino tradicional e o fato de o aluno poder montar o seu próprio currículo de acordo com as suas necessidades e o seu tempo, mas é preciso que ele tenha uma espécie de supervisão. Muitas vezes ele está tão perdido, que não consegue encontrar seu próprio caminho para estudar melhor’’.
Um exemplo, segundo Gomes é o daquela pessoa que a princípio se empolga para estudar em casa, mas que, quando se depara com a televisão ou com o trabalho, acaba trocando os livros pela outra atividade. Se não houver uma espécie de cobrança, ou supervisão do conteúdo, não há um progresso considerável.
‘‘A idéia não é só a de reproduzir conhecimentos, mas de trabalhar com a construção deles. Por isso, para que essa forma de educação fique completa, é preciso usar boa tecnologia, aliada a pedagogias mais modernas e bons professores’’, conclui Gomes.

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