A parceria escola-comunidade costuma render bons frutos. Não são raros os exemplos de ações feitas em conjunto e que trazem benefícios para os alunos. No Colégio Estadual Vicente Rijo (Centro), alunos com hiperatividade participam de sessões de massagem, através de um projeto piloto de extensão de alunas do curso técnico de massoterapia do Instituto Federal do Paraná.
O projeto foi proposto pelas alunas Thyara Kalahan de Azevedo, Daiane Pereira dos Santos e Jéssica Cordeiro Bonfim de Lima, como tema do seu trabalho de conclusão de curso (TCC). Thyara explica que desde maio estão sendo atendidas 11 crianças, com a massagem chinesa Tuiná. ''Tentamos dessa maneira harmonizar a energia das crianças. Primeiramente eles eram atendidos três vezes na semana, depois passamos para duas e agora é apenas uma vez. Ao todo serão 24 sessões'', explica.
Todos os alunos tiveram confirmado o diagnótico de TDHA, segundo laudo médico. Além das sessões de massoterapia, os alunos também foram submetidos a testes de atenção e concentração, além de fazerem fotos Kirlian, para visualizar a energia. ''A massagem provoca relaxamento, diminui a ansiedade, estimula a produção de serotonina. Já refizemos os testes e as fotos e as crianças demonstram estar com a energia mais harmonizada. Além disso apresentaram também melhora no comportamento. Por isso pretendemos que no próximo ano as sessões continuem'', explica Thyara.
Os mais interessados nessa continuidade são as crianças. João Pedro de Oliveira Braz, de 11 anos, conta que agora se sente mais calmo e dorme melhor. ''Antes eu demorava muito para conseguir dormir, agora é rapidinho. Também consigo ficar mais concentrado e por isso acho que fui melhor nas provas'', conta.
A técnica de enfermagem Marlene de Oliveira Braz, mãe do João, explica que o menino foi diagnosticado como tendo deficit de atenção aos oito anos e também tem dislexia. ''Ele gosta bastante da massoterapia, percebemos que ele melhorou o comportamento. Além de ser bom para o corpo, é bom para a mente.''
Matheus Felipe de Paula, de 13 anos, também participa do projeto e conta que as notas de matemática e português melhoraram. ''Fiquei mais calmo, acho bem legal as sessões.'' A mãe do garoto, Sheila Janete de Paula também percebeu que o filho está mais calmo, mesmo tendo suspendido o uso do medicamento para hiperatividade. ''Nas férias, quando as sessões foram interrompidas, ele ficou mais agitado mesmo sendo medicado. Agora ele presta mais atenção nas aulas e o resultado foram notas mais altas'', diz.
A orientadora do TCC, a professora Juliana Gomes Fernandes, conta que para as alunas do curso de massoterapia o projeto também é importante, já que vão estar melhor preparadas para o mercado de trabalho. ''Trabalhar com a massagem como um tratamento alternativo e complementar do TDHA significa também ampliar o campo de trabalho. E ficamos felizes em saber que as crianças estão apresentando melhoras. Por isso já estamos cuidando dos detalhes para que o projeto continue no próximo ano, só não sabemos se com as mesmas crianças e no mesmo colégio'', explica.
A coordenadora de projetos especiais do Vicente Rijo, Lílian Cristina Garcia, confirma que é possível perceber modificação no comportamento das crianças. ''Aos poucos as crianças foram mudando, estão mais concentrados, sabem esperar a vez de falar e a maioria apresentou melhora de notas. As famílias também estão aceitando mais as dificuldades das crianças'', afirma.
Outro ponto positivo, segundo ela, é que os professores também têm um conceito diferente dos alunos. ''Gostaríamos que o projeto continuasse no próximo ano e ainda estamos conversando sobre isso. Mas o resultado foi acima do esperado'', garante.

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