Integrantes do MST são acusados de desmatamento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de julho de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Tamarana Cerca de 30 famílias ligadas ao Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) são acusadas de desmatar uma reserva de preservação ambiental dentro do município de Tamarana (62 km ao sul de Londrina). A denúncia partiu do secretário de Meio Ambiente de Tamarama, Hélio Brás Ferreira, que já enviou ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) um documento pedindo providências sobre o suposto corte ilegal de árvores.
A área, que possui aproximadamente 3,5 mil eucaliptos, distribuídos em um hectare de terra, pertence ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e abriga 20 famílias do Assentamento Serraria, que já foram cadastradas no programa nacional de reforma agrária. Mais 30 famílias de produtores rurais ocuparam pacificamente a propriedade buscando pressionar o governo federal a agilizar o processo de assentamento de novas famílias no local.
O secretário de Tamarana disse que a prefeitura entende a situação do MST, mas contesta o corte de algumas árvores, cuja madeira estaria sendo utilizada na construção de barracos. ''Não temos nada contra eles, que são gente boa buscando trabalho. Só pedimos para que parem com o corte das árvores porque a reserva é de preservação'', ponderou. ''Pedimos, com o apoio da Polícia Florestal, que fez um trabalho de conscientização com as famílias, que o acampamento seja deslocado pouco mais de 50 metros do local atual'', prosseguiu. Ele não soube informar a quantidade de árvores derrubada.
O IAP foi acionado para fiscalizar o caso, mas repassou a denúncia à Polícia Florestal. Segundo o chefe-regional do instituto, Ney Paulo, a decisão obedeceu critérios de ''segurança''. ''A Polícia Florestal tem as mesmas atribuições do IAP neste caso, mas tem a vantagem de estar armada. Até o bloco de autuações que eles utilizam é o mesmo do nosso. Temos que zelar pela segurança do fiscal, que tem família para cuidar'', alegou.
A Polícia Florestal apareceu terça-feira no acampamento e constatou a derrubada de alguns eucaliptos. As famílias foram orientadas a parar com o corte, principalmente beirando os limites da área de preservação permanente, que se estende até 30 metros a partir de um córrego local.


