Emerson Cervi
De Curitiba
Teatro, música, dança e mutirões de limpeza estão melhorando a rotina em colégios públicos da região de Curitiba
Os projetos para promover a paz nas escolas estaduais já começam a dar resultados. Diretores de 14 escolas apresentaram ontem as primeiras avaliações do trabalho desenvolvido com alunos carentes da periferia da cidade, no II Seminário Segurança nas Escolas. Participaram do seminário diretores de 189 escolas estaduais de Curitiba e a secretária estadual de educação, Alcyone Saliba. O evento foi organizado pelo núcleo regional de ensino, que desde 1996 faz um levantamento das principais causas de violência nos colégios.
Representantes da Secretaria Estadual de Segurança também participaram. ‘‘Eu tenho 16 propostas para melhorar ainda mais a segurança nos colégios, entre elas a readequação da Patrulha Escolar’’, afirmou a secretária Alcyone Saliba. ‘‘A violência não é um problema criado pelas escolas, e sim no seio das famílias, mas é nos colégios que ela se manifesta’’. A secretária acredita que sejam necessários mais R$ 200 mil por mês para ampliar o policiamento nas escolas da capital.
A chefe do núcleo regional de educação em Curitiba, Clemencia Maria Ferreira Ribas, diz que os maiores problemas de violência juvenil em escolas estão relacionados à formação de gangues e tráfico de drogas.
Entre os casos relatados por diretores ontem está o do Colégio Estadual Etelvina Cordeiro Ribas, no Bairro Pinheirinho, onde estudam 1350 alunos do ensino fundamental e médio. Inaugurado em 1994, o colégio enfrentava problemas constantes com violência. ‘‘A escola foi construída numa área onde o controle era disputado por três gangues, sofríamos invasões constantes e tínhamos que suspender as aulas por falta de segurança’’, relatou a diretora Maria Tereza Ferreira Rocha.
Há dois anos os professores do Colégio Etelvina começaram a fazer atividades extra-curriculares com os alunos. ‘‘Eles participam de peças teatrais, de corais e danças, criando uma integração deles com a escola’’. Nos últimos dois anos o policiamento, que antes era ostensivo, passou a ser preventivo. Os alunos também fizeram a recuperação de muros e pinturas nas paredes internas do colégio. ‘‘As invasões de gangues terminaram, o índice de matrículas e de aprovação aumentou’’, disse a diretora. Antes das ações pela paz, os índices de evasão escolar chegavam a 38%. ‘‘Estou muito motivado a estudar porque as aulas são animadas e diferentes’’, relatou o aluno Alexsandro Claro Gomes, 17 anos.

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