Foto de Izaías Medeiros/Especial para a FolhaFELICIDADEPaulino, a mulher Antonia e um dos filhos, Fabiano: ‘‘Tem sido uma maravilha nesses oito anos’’A família de Paulino Ferreira, de 41 anos, paulista de Presidente Prudente, é uma das que estão envolvidas no sistema de parceria em Campo Verde. ‘‘A idéia é uma beleza para nós’’, diz o ex-sem-terra criado em Dourados, que tem dois aviários, um com 8 mil e outro com 12 mil cabeças de frango. Paulino fatura cerca de R$ 1.800 brutos por mês em cada aviário, e com a metade paga o financiamento do Banco do Brasil.
‘‘Estamos felizes’’, diz, falando pela mulher, pelos três filhos, de 19, 15 e 11 anos, e pela sogra, que o ajudam a cuidar do negócio, na sua propriedade regularizada de 46 hectares. O assentamento possui 60 lotes, que variam de 25 a 46 hectares. ‘‘Aqui é um lugar bom. Mas sem o projeto de parceria seria muito difícil, já que a lavoura está rendendo pouco. Integração é melhor do que lavoura’’, explica Paulino.
Como produto do seu esforço, Paulino diz, orgulhoso, que já ajuntou 100 cabeças de gado, produz seu próprio leite e ainda cria umas cabeças de porcos. ‘‘Tem sido uma maravilha nesses oito anos’’, revela. Como o trabalho não é pesado, os filhos podem frequentar a escola do assentamento (até a 8ª série), e quem está ‘‘mais adiantado’’, segundo Paulino, pode ir estudar em Terenos. Uma kombi da Prefeitura busca e traz os estudantes todos os dias.
A vida no Campo Verde é boa, diz Paulino. Há energia elétrica da Enersul desde 1991, água garantida de três poços artesianos e um semi-artesiano. As casas de alvenaria foram construídas em mutirão, com doação de material de construção pela prefeitura de Terenos - e o mesmo sistema foi utilizado na construção dos novos barracões para a criação de frangos.
Para fazer os vinte novos aviários - para 15 mil aves cada um - a prefeitura de Terenos cedeu terraplenagem do local. Cada barracão possui 1.079 metros quadrados (130 x 8,30 metros), com estrutura simples. É um galpão de pré-moldado em concreto, com piso batido, cobertura de telhas de fibro cimento amianto, laterais de tijolos, cortinas de PVC, bebedouros pendulares, comedouros de alumínio manuais, nebulizadores, caixa d’água para 15 mil litros. O sistema é semi-climatizado, com controle de temperatura e umidade automática. Cada aviário tem custo orçado em R$ 41 mil.
Na região, junto com o Assentamento Patagônia, o Campo Verde soma 128 lotes agrários. Outro constituído é o de Nova Querência, com 220 lotes. Os moradores recebem atendimento diretamente da prefeitura de Terenos. O prefeito Cláudio Nascimento da Paixão é técnico agropecuário, e mantém dois colegas no projeto. Os dois, e mais um da própria Acauã/Frango-Vit, garantem a assistência técnica e sanitária à criação.
Outra forma de ajuda da prefeitura, além do veículo escolar, é a manutenção ou abertura de estradas para facilitar o acesso e o escoamento da produção do Campo Verde - cujos eleitores, segundo se diz em Terenos, foram decisivos na eleição de Paixão.
Exemplo‘‘Nós temos aqui um exemplo daquilo que preconizamos há vinte anos: o processo de integração só é bem sucedido quando tocado pela família do produtor’’, aponta Paulo Muniz. ‘‘É que as ações na granja são pessoais, não é possível estabelecer jornadas de trabalho com funcionários. Esta proposta seria equivocada’’, observa o industrial.
O industrial londrinense diz que a avicultura, no processo de integração, está desempenhando um papel muito importante no campo. ‘‘No Paraná, por exemplo, o Incra promoveu assentamento de 6,5 mil famílias, mesmo assim depois de cercas derrubadas e muito pânico. Só a avicultura, para comparar, já emprega 40 mil famílias no Estado. Isso é um exemplo que o governo federal deve seguir, estimulando sempre a agroindústria no contexto da reforma agrária’’, acrescenta.

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