Os usuários do transporte coletivo que vêm diariamente de Cambé, Ibiporã e Rolândia para Londrina terão que continuar aguardando pelo tão esperado sistema integrado de transporte metropolitano, que permitiria ao usuário utilizar a mesma passagem para fazer o trajeto entre as cidades e circular na área urbana. O projeto foi proposto em maio do ano passado pela Coordenação da Região Metropolitana de Londrina (RML), mas segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) ainda depende de diretrizes técnicas para ter o aval do município sede. Por isso, a idéia é vista com cautela pela administração municipal.
''Estamos providenciando estudos técnicos que apontem a melhor metodologia a ser aplicada. Diversas regiões implantaram projetos similares, porém não são adequados à nossa realidade, o que poderia onerar o município sede. Além da preocupação financeira, há também uma grande preocupação estrutural, já que os terminais existentes em Londrina não comportariam este aumento na frota'', afirma o diretor de transporte da CMTU, Wilson de Jesus. Segundo ele há várias questões a serem decididas antes da aprovação do projeto, como por exemplo um padrão de jornada de trabalho e tarifa, que hoje são diferentes nos quatro municípios. ''Além disso, temos a bilhetagem eletrônica, que os outros não têm.''
Jesus afirma que o projeto interessa muito à administração municipal, até porque existe um conflito entre os pontos de transporte urbano e transporte metropolitano em algumas vias, que dificultam os trabalhos da companhia. ''Mas por se tratar de uma questão extremamente séria, não dá para fazer de bate-pronto. É preciso muita cautela para definir, antes da implantação, as ferramentas técnicas de gestão de transporte'', argumenta Jesus. De acordo com o diretor, a intenção é apresentar as sugestões à RML ainda este mês.
O vice-prefeito Luís Fernando Pinto Dias usa argumentos parecidos ao falar sobre o assunto. ''Não há dados técnicos e o projeto não diz, efetivamente, como o município vai ser ressarcido com o custo agregado da integração. Essa é uma exigência que precisamos fazer até por causa da questão da legalidade - temos que saber de onde vem a receita para qualquer despesa que fizermos.'' Dias acredita que a integração vai causar um impacto na planilha do transporte coletivo e questiona de onde vai sair este custo.
Segundo o vice-prefeito não há estimativa de quantas pessoas viriam para Londrina utilizando o sistema integrado, mas que as empresas só aceitarão o projeto se tiver uma ''compatibilização de custos''. Dias observa ainda que como o sistema local é todo repassado para o usuário, a população é que terá que arcar com os custos da integração. ''Se for feito da forma como está sendo colocado, simplesmente repassando o custo, sem os outros municípios agregarem valor à nossa passagem, teria que aumentar a tarifa'', conclui.
Demanda reprimida
Já a coordenadora da RML, Elza Correia, afirma que há uma demanda reprimida na região, e que o transporte integrado é uma necessidade. ''Londrina é um centro de comércio, saúde e educação, então o fluxo de moradores de outras cidades que vêm atrás desses serviços é muito grande. A pessoa vem pra cá, chega no terminal e tem que pagar outra passagem.'' Ela lembra que os prefeitos de Ibiporã, Rolândia e Cambé já assinaram o termo de anuência do projeto, falta apenas a assinatura do prefeito de Londrina, Nedson Micheleti.
Para Elza, as discussões sobre tarifas são um processo posterior. ''Se há necessidade de alterações, que as propostas sejam enviadas a nós. Não há como comer uma omelete sem quebrar os ovos'', compara. A coordenadora defende que seja constituído um Conselho de Integração do Transporte Metrolitano para discutir todas as questões relativas ao projeto, que segundo Elza está paralisado, ''aguardando um sinal ou a assinatura do prefeito''.
Os usuários do transporte metropolitano elogiam a iniciativa. O estudante Bruno Moreira, 22 anos, que pelo menos uma vez por semana faz o trajeto de Rolândia para Londrina, tem consciência de que pode haver aumento no preço da passagem - ''como sempre acontece'' - mas mesmo assim é favorável à integração.
Já a auxiliar de cozinha Silvana Dias Gomes, 34 anos, de Rolândia, acha que a medida a ajudaria a atender os pedidos constantes dos filhos para vir aos cinemas e shoppings de Londrina. Ela observa que a passagem única ajudaria bastante nos dias em que tem que trazer o filho ao dentista. ''Ele faz tratamento duas ou três vezes por mês em Londrina, e às vezes a gente não tem dinheiro para outra passagem, é complicado. Silvana acha que a integração provocaria um aumento no fluxo de passageiros entre os municípios vizinhos.

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