Um trabalho novo em que os dependentes químicos não ficam isolados do resto do mundo, apesar de estarem instalados em uma chácara afastada da cidade. Nesse local, os internos se ocupam com o trabalho na casa e no campo, mas também recebem visitantes e saem para participar de atividades de outros grupos. O objetivo é a interação com a comunidade. O resultado, um índice de participação 45% até o fim do tratamento.
O Prolov funciona há um ano e meio em Londrina baseia-se na experiência da Instituição Padre Aroldo, de Campinas (interior de São Paulo). ''É um método simples e barato. Enquanto o dependente está no processo de internação, cria vínculo com outros grupos, tanto os que enfrentam os mesmos problemas que ele como com voluntários que realizam um trabalho de integração e convivência. Essa integração promove uma recuperação mais rápida, porque o indivíduo não fica isolado, continua tendo contato com o mundo lá fora'', afirma o psicólogo e coordenador do projeto, Frederico Nogueira, responsável pela fundação do Prolov.
O tratamento não utiliza medicamentos e tem como base os Doze Passos dos Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos, apoio disciplinar e acompanhamento familiar através do programa de Amor Exigente, que prepara a família para receber o dependente atendido pelo projeto. ''A família é orientada sobre como fazer a intervenção desse paciente'', explica Nogueira, informando que o projeto nasceu durante o Hallel, maior evento de evangelização da América Latina.
Com capacidade para 30 internos, o local mantém hoje 19 rapazes com mais de 18 anos. A estrutura ainda não abriga mulheres. A que são avalidadas no projeto são encaminhadas para instituições parceiras em Maringá (Noroeste) e em Presidente Prudente (interior de São Paulo).
A chácara de um alqueire abriga o prédio onde durante muitos anos funcionou o convento dos freis franciscanos. Os cômodos rústicos foram transformados em dormitórios e salas onde são realizadas atividades com os internos. Na capela, os internos desenvolvem o lado espiritual, uma exigência do programa. Do lado de fora, o terreno abriga uma horta e espaço para criação de pequenos animais. O cômodo onde funciona a cozinha está sendo ampliado para dar mais conforto aos internos.
A manutenção do local é feita pelos próprios internos, que se revezam nas tarefas diárias. As despesas são custeadas com ajuda da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, pelas famílias dos internos e através de doações. ''É um local que proporciona ao ser humano oportunidades para viver com dignidade até que ele esteja pronto para retornar ao mundo lá fora. Tentamos quebrar o isolamento, trabalhando também no sentido de que eles falem verdadeiramente de si'', acrescenta Nogueira.
Além do trabalho de uma equipe formada por dois psicólogos, um psiquiatra voluntário, padres e três instrutores sociais, os internos contam com a atenção de colaboradores que vêm de fora, passar o dia, entreter e compartilhar com eles. As visitas acontecem uma vez por semana e uma vez por mês os internos saem para chácaras de lazer da região. ''São momentos em que eles passam o dia se divertindo, cantando, jogando bola e baralho'', explica Nogueira.
Para os voluntários, como a representante comercial Márcia Camacho Corder, que desenvolve dinâmicas de reflexão, espiritualidade e relaxamento com os internos uma vez por semana, o trabalho é gratificante. ''Consegui me identificar com eles, por ter o mesmo comportamento e dificuldades. A única diferença é que eu era limpa de drogas. Aprendo muito com eles''.

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